Último debate entre as candidaturas: Eleições FaE 2020

 


Comissão eleitoral dá prosseguimento ao debate

Cristina Maria Rosa

 

Na quinta-feira, dia 15 de outubro, todos os docentes, TAES e estudantes de Faculdade de Educação receberam um comunicado da Comissão Eleitoral que está coordenando os trabalhos de escolha da próxima dupla que vai dirigir a FaE entre 2020-2024. Em um comunicado, o convite para o debate que ocorreria na sexta, dia 16, às 18 horas e uma mensagem das candidaturas à comunidade.

O PET Educação convida a cada um a acompanhar o processo, lendo as propostas, ouvindo o debate participando de lives com as candidaturas e escolhendo uma delas. No dia 19, 20 ou 21, deposite seu voto na urna de modo online.

A mensagem da COE:

Estamos na terceira e última etapa dos envios das chapas que concorrem à direção da FaE, em espaço disponibilizado pela Comissão Eleitoral. Lembramos a todos que amanhã teremos o segundo debate entre as chapas, às 18h, que acontecerá no Facebook (O link poderá ser acessado mesmo por que não possui conta na rede social). Contaremos com intérpretes de LIBRAS, deixando o debate acessível para todas(os). Atenciosamente, A Comissão Eleitoral

 Últimas mensagens das candidaturas: Leia, a seguir, as mensagens enviadas pelas candidaturas à COE, para que fossem divulgadas...

Últimas mensagens das candidaturas:


A CHAPA 1 FAE +COLETIVA +LOCAL +GLOBAL: “Estudantes da FaE de Pedagogia, Especialização em Educação, Pós-Graduação em Educação e Mestrado Profissional em Ensino de Ciências e Matemática, docentes e TAES. Hoje é um dia especial para lembrar das lutas e resistências que professoras, professores e estudantes realizam em defesa da educação pública e da carreira docente. A CHAPA 1 FAE +COLETIVA +LOCAL +GLOBAL quer seguir com a força de Antonieta de Barros, mulher negra, eleita deputada, criadora do dia do Professor, que tinha como bandeira política o poder revolucionário e libertador da educação para todas e todos. Também com o legado de nosso patrono, Paulo Freire, o qual nos lembra que o trabalho docente tem uma implicação ética que exige consciência de classe e compromisso social. Queremos reforçar que a Chapa 1, composta por Álvaro Hypolito e Aline Accorssi, representa um coletivo que seguirá lutando em favor da formação humana, ampliando espaços de formação docente e articulação com as redes públicas de ensino, pois acreditamos que é possível um mundo mais justo e solidário porque podemos com nossos gestos e ideias adiar o fim do mundo. Nossas propostas por + Participação + Qualificação + Formação + Diversidade têm esse sentido e essa vontade coletiva. Paulo Freire nos ensinou a força do ato de ler, força transformadora que também pode ser exercida por meio do voto. Sigamos leitores e leitoras do mundo e das palavras, e também com a condição que temos de ser eleitores e eleitoras da Chapa 1. Juntes temos mais força para qualificar a educação! Entre os dias 19 e 21 de outubro VOTE CHAPA 1! Acompanhe nossas redes sociais: https://linktree.com.br/new/faemaisufpel Siga discutindo conosco as propostas para uma FAE +COLETIVA +LOCAL +GLOBAL! Contamos com teu apoio!”

 

 


“À toda comunidade da Faculdade de Educação. Neste 15 de outubro, a Chapa 2 – Fae Dialógica e Inclusiva, deseja que a amorosidade ganhe o espaço da arrogância, que a liberdade ganhe do autoritarismo e a democracia se sobreponha a toda e qualquer ditadura, seja ela de direita ou de esquerda! Nas palavras do grande educador Paulo Freire, desejamos felicidades nesse dia:

"Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a silenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda. Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais. Sou professor contra a ordem capitalista que inventou esta aberração: 'a miséria na fartura'. Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza. Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias [...] Boniteza que se esvai de minha prática se, cheio de mim mesmo, arrogante e desdenhoso dos alunos, não canso de me admirar" (FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996).

 

Agradecemos as manifestações de carinho e apoio a nossa candidatura e convidamos a quem ainda não se decidiu, que leiam nossa proposta, conversem conosco e, se desejar, nos confie seu voto! Agradecemos à COE pela dedicação nessas eleições e aos colegas Álvaro e Aline pela oportunidade de criarmos esse espaço democrático na disputa da direção da Faculdade de Educação, pautado do diálogo e no respeito mútuo. Por uma FaE pautada no diálogo e na inclusão. Vote Chapa 2! Convidamos para o 2º debate, que será dia 16 de outubro as 18h. Venha conhecer nossas propostas:
https://www.facebook.com/chapa2fae/.









11 de outubro: dia internacional da menina

 

Meninas e a leitura

Cristina Maria Rosa

 

 

Livros para meninas?

Há livros que educam meninas? Há literatura produzida para emancipar meninas? O que é uma menina?

Para a escritora Fernanda, 15 anos, “menina é o símbolo da inocência, da ingenuidade, longe de pensamentos machistas, em que meninas são criaturas mais fracas e sua inocência vem do não saber as coisas”. Para ela, “meninas lembram beleza, luz, tudo de mais lindo que o mundo traz. E com certeza, a sabedoria e a inteligência”.

Para uma estudante de Pedagogia de 34 anos, “menina é a definição, em nossa cultura, para a criança que nasce com o sexo feminino. É uma expressão usada para diferenciar menina de menino, baseada no formato das partes íntimas, vagina e pênis. É o mesmo que guria, para nós gaúchos. Após certa idade – indefinida, pois não se sabe quando começamos nos chamar mulher – deixamos de sermos meninas e passamos a ser mulheres. Nascemos mulheres, por causa da definição biológica. Para suavizar a carga e adoçar, chamamos "meninas" as crianças do sexo feminino. Muitas mulheres adultas são chamadas de meninas. Em qualquer idade. E muitas acham difícil ser chamadas de mulheres, pela carga que este nome tem, às vezes, pejorativo. Menina adoça, mas, queremos ser doces pelo restos de nossas vidas? Acredito que a resposta venha de outra pergunta: Queremos ser amargas pelo resto de nossas vidas?”.                     

Observando...

Observando essas duas considerações diante de tantas outras que recebi após uma pesquisa informal, retorno à pergunta: Há livros endereçados para meninas? Neste caso, o que os aproximam, o que os tornam imprescindíveis?

Narrando mulheres

Anteriormente à profusão de títulos que, desde os anos 80 vêm sendo produzidos com a proposição de abordar a educação de crianças com mais delicadeza, criatividade, pertencimento, gentileza, alguns de nossos autores já se debatiam com a figura feminina. Um deles, João Simões Lopes Neto que, há 100 anos, mostrou-se estarrecido com a fúria amorosa e destruidora de Tudinha, em “O negro Bonifácio”. Outro, Erico Verissimo, um interiorano soterrado pela exuberante adolescência e o inevitável nascimento da vida adulta em “Clarissa”. O último, Mário Quintana, inconforme com o poder de escolha das mulheres em “As três moças de encruzilhada”.

Sim.

Três autores.

Três homens.

Três vozes.

Passados esses primeiros tempos, narradas essas meninas, mocinhas e até velhotas, a literatura passa a oferecer indícios de que às mulheres – e às meninas, também – restava pensar. Não que isso – pensar – ainda não houvesse sido sugerido, tematizado. Le petit Chaperon Rouge, conto de fadas de origem européia publicado pela primeira vez em 1697, pelo francês Charles Perrault, é um recado à infância e às meninas: os lobos existem, eles são perigosos, eles se disfarçam, eles matam.

Apesar dos trezentos e vinte anos que nos separam dessa primeira grafia de Chapeuzinho Vermelho, a natureza e a cultura das mulheres e sobre as mulheres parecem ter aprendido pouco. Em busca de caçadores, de lenhadores, de salvadores, as meninas e até mulheres adiam o protagonismo das próprias vidas.

Enredadas em tramas – sussurros, promessas, discursos, lenga-lengas – atribuem ao outro (o pai, o padrasto, o irmão, o colega da escola, o namorado, o noivo, o amante) seu destino. E os números indicam que o destino nem sempre é sair da barriga do lobo.

Acervo

Focando a busca por obras que sugerissem protagonismo, o intuito era criar um programa de leituras para meninas. Sonhava em dialogar com elas sobre liberdade para pensar e escolher, pois sei de nossas diferenças, a primeira delas, geracional.

Não pretendo falar pelas meninas. Sei do inútil que é impor pautas e resoluções, conceitos e teorias, análises e estatísticas.

O lobo, por velho e sábio, conhece o mel. Não usa o fel. Quem nunca provou?

Assim, reuni, entre os títulos de minha biblioteca, um grupo de livros que têm em comum, temas ou protagonistas meninas, mocinhas ou mulheres que extrapolam os clássicos papeis destinados culturalmente ao gênero feminino. Na construção dessas personagens e tramas, os autores e autoras apresentam a nós, leitores, perfis, ideias, tramas e desfechos inusitados, inteligentes, bem humorados, afetivamente includentes e com lógicas não violentas.

O que eu pretendo com esses livros?

Encantar e fazer pensar.

Dizer às meninas que elas existem, não são bando, não precisam ser iguais, tem direitos, podem expressá-los, podem fazer escolhas, não estão sozinhas. Intenciono, também, ouvir, conhecer e aprender a dialogar com as meninas.

As obras indicadas

Os livros que selecionei e que indico são: Maria vai com as outras, de Sylvia Orthof; Teresinha e Gabriela, de Ruth Rocha; A Zeropéia, de Herbert de Souza, uma obra que marcou a literatura infantil para pensar; Bisa Bia, Bisa Bel, de Ana Maria Machado; Pandolfo Bereba, de Eva Furnari; Mania de Explicação, de Adriana Falcão; Sebastiana e Severina, de André Neves; Nós, de Eva Furnari; Ceci tem pipi? De Thierry Lenain; Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque; Ervilina e o princês, de Sylvia Orthof; Selma, de Udo Araiza; Espelho, de Suzi Lee; Vermelho Amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós; Uma chapeuzinho vermelho, de Marjolaine Leray;  O cabelo de Lelê, de Valéria Belém;  Orie, de Lúcia Hiratsuka;  O livro dos grandes opostos filosóficos, de Oscar Brenifier e Jacques Després; Inês, de Roger Mello e Mariana Massarani e A ervilha que não era torta... mas deixou uma princesa assim, de Maria Amália Camargo.

Por fim, indico um título.

Para pensar.

Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas.

Fiquemos com o título, pleno de sentidos.

Observemos duas das palavras contidas nele:

Útero.

Punho.

Lembremos...

Todos temos punhos.

Só as meninas tem útero!


12 de outubro: um dia para a infância!


Leitura literária: o belo e o útil

Cristina Maria Rosa

Ouvir histórias lidas, desde há muito tempo é um hábito que envolve prazer, instrução e informação. Reunir-se para ouvir alguém ler tornou-se também uma prática necessária na Idade Média, pois, segundo Manguel (1999), até a invenção da imprensa, a alfabetização era rara e os livros, propriedade dos ricos, privilégio de um pequeno punhado de leitores.

Diferenciada das demais linguagens por ser intrinsecamente interdisciplinar, a leitura literária é comprometida com a capacidade ancestral de imaginar e confunde, intencionalmente, o belo com o útil, o lúdico com o razoável, devendo ser apresentada às crianças logo que elas dão início ao contato com o mundo. Para Machado (2012), ela se expressa, inicialmente, nas cantigas de pai e mãe para seu bebê ao colo e, depois, à medida que este vai crescendo, “novas formas de criação verbal lhe vão sendo oferecidas pelos mais velhos – jogos, brincadeiras, parlendas, adivinhas, trovas. E histórias, muitas histórias” (MACHADO, 2012, p. 11) que ficam guardadas na memória integrando seu legado cultural, sua herança, seu repertório particular. 

 A literatura na escola, para que ocorra, pressupõe um processo de letramento literário que não é espontâneo. Como resultado de uma intencionalidade, deve ter planejamento. Neste cabem algumas etapas, sem as quais o processo poderá não ter êxito. O objetivo do letramento literário é tornar as crianças leitoras fluentes e, o processo de formação desse leitor ocorre, de acordo com Machado (2008), quando a criança entra em contato com narrativas, provérbios, ditos populares, adivinhas, parlendas, textos ficcionais e poéticos através das vozes do universo familiar e, logo depois, de forma organizada e frequente, passa a conhecer os impressos – preponderantemente livros – que apresentam, em verso e em prosa, o repertório de nossa cultura escrita.

Quando as crianças ingressam nos anos finais do Ensino Fundamental, se estiverem inseridas no processo de letramento desde a escola infantil, poderão interagir sem mediadores com a cultura literária que as envolve. Desse modo, passam a escolher o que ler, quando, com que frequência e até mesmo indicar livros que gostam. Mesmo nesse momento, segundo Machado (2008), “o trabalho dos professores, continua a ser imprescindível no sentido de ampliar, a cada etapa da escolaridade, as experiências literárias de seus alunos”.

Na experiência desenvolvida, a proposição de estabelecer um vínculo imediato entre autor/mediador através do envio de narrativas às professoras e seus alunos, foi alcançado. Como primeiro passo, as professoras puderam ler as narrativas na tela do computador, escolher entre várias a mais adequadas aos seus, incentivá-los a ilustrar com materiais gráficos variados. Ao ver o resultado, professoras e crianças puderam usufruir de um produto partilhado em que cada ator estava representado em igual tamanho e importância, dividindo a criação e projetando novas experiências. As crianças, na escola, puderam ver seus desenhos em outras dimensões, partilhar sua produção com os demais e ler novamente o conto, agora ilustrado.

Doce, a “literatura infantil contemporânea deve deleitar os pequenos leitores, cumprindo seu destino estético”, mas, “ao mesmo tempo, deve ser útil, atendendo as demandas históricas” sugere Paulino (2010, p. 115).

 


Fabio Vergara Cerqueira e Isabel Rasia querem governar a UFPel

 


PET Educação Entrevista Fábio e Isabel

Dando prosseguimento a entrevistas que objetivam ampliar o acesso dos eleitores à escolha dos Dirigentes da UFPel para a gestão 2020-2024, o PET Educação buscou conhecer mais intensamente, a candidatura de Fabio Vergara e Isabel Rasia. Acompanhe aqui as respostas a nossas pergutas:


1. Por que Fabio Vergara Cerqueira e Isabel Rasia querem governar a Universidade Federal de Pelotas nos próximos quatro anos?

Primeiro, porque amamos a UFPel e devemos tudo que construímos em nossas vidas profissionais à universidade pública e gratuita. Segundo, porque formos escolhidos, pelas nossas trajetórias acadêmicas e pelos nossos perfis, para liderar o grupo UFPel Mais neste pleito. Terceiro, porque nossa universidade tem um potencial incrível, que tem se revelado em várias conquistas recentes, resultantes da expansão produzida há uma década pelo REUNI e pelo trabalho incansável da base acadêmica, dos três segmentos, de nosso alunado, de nossos técnicos e nossos docentes, que não poupam esforços para aumentarem nossos indicativos de qualidade. Sabemos então que a UFPel pode muito mais. Porém, temos uma gestão que, malgrado alguns pontos positivos, precisa mudar. Gestão deve ser facilitadora e não o contrário! O modelo humanista que defendemos, aliado a uma administração moderna, calcada na empatia e em uma gestão mais ágil, dinâmica e dialogada, é um modelo que ainda não administrou nossa universidade. Docentes se veem, no geral, envolvidos em rotinas burocráticas hipertrofiadas, com trabalhos redobrados, que dificultam muito sua vida diária e atrapalham seus planos acadêmicos, por gerarem um desvio de horas para atividades-meio, em detrimento de nossas atividades-fim de ensino, pesquisa e extensão. Para piorar, a gestão da UFPel foi a única do país a colocar em xeque direitos garantidos pela LDB, como a carga horária mínima em sala de aula. Técnicos padecem sob uma gestão verticalizada, que não valoriza sua categoria. Convivem em vários locais com ambiente opressivo, em que um grupo desprovido de empatia torna o ambiente de trabalho adoecedor. Na contramão disso, nosso olhar humanista é de uma universidade horizontalizada e acolhedora. As representações discentes, os DAs, encontram dificuldade para dialogar com a gestão, como ocorreu neste ano nas decisões tomadas relativamente ao calendário remoto emergencial. Hoje, a democracia institucional interna fica prejudicada, diante de uma opção personalista de administrar por meio das redes sociais. É o que se chama a “universidade facebookiana”. Nós faremos uma universidade mais dialogada e integrada, estimulando transversalidades e interdisciplinaridade. Nós criaremos o Escritório de Apoio ao Desenvolvimento de Projetos que trará muitas oportunidades em um cenário nacional de dificuldades. É possível crescer na crise! Nós traremos um olhar especial, com soluções eficientes, para a saúde de nossa comunidade universitária. Finalmente, é preciso sair do modelo de universidade acastelada e abrir as portas para a comunidade. Queremos fazer isso e faremos. Seremos grandes parceiros da retomada do desenvolvimento regional em suas várias facetas, ambiental, cultural, sanitária, social e também econômica. Melhoraremos os quesitos para uma universidade inclusiva, ouvindo mais nossos alunos que ingressam por sistema de cotas, para juntos melhorarmos sua permanência e introduzirmos acompanhamento também dos egressos cotistas.

 

2. O que significa "UFPel Mais"?

Significa que a UFPel merece mais e pode mais. Basta olhar para a base da universidade, nas unidades acadêmicas, e vemos a universidade humanista, cuidativa e inclusiva sendo engendrada. Nosso projeto UFPel Mais não começou agora, resulta de uma trajetória, iniciada em 2004, com o movimento “Ciência, cultura e cidadania”, buscando os princípios de equilíbrio e sinergia como norteadores para o desenvolvimento da universidade. Deste período até hoje, o movimento tem se renovado com a adesão de novos quadros de docentes e técnicos e novas gerações de estudantes. Sabemos olhar a história da UFPel com respeito, sabemos reconhecer as contribuições dadas ao longo dos anos pelos diversos administradores, porque a instituição como um todo avança. Mas, nosso grupo acredita que o modelo necessário, neste momento, para a nossa universidade dar o salto de qualidade que precisa, é o modelo de uma UFPel mais horizontal, mais humanista, mais cuidativa e mais inclusiva. Defendemos uma UFPel Mais, porque a comunidade da UFPel merece mais, porque Pelotas e região merecem mais. E propomos uma série de medidas bastante concretas. Os grupos de trabalho que atuarão na revisão dos processos administrativos da UFPel, com olhar técnico e normativo, produzirão uma reforma de nossas rotinas que proporcionarão uma burocracia ao mesmo tempo mais eficiente e mais ágil e leve. Criaremos medidas de acolhimento aos estudantes e de maior eficiência na assistência estudantil nos primeiros seis meses após ingresso. Isso significa UFPel Mais. 

3. Por que acreditam que os eleitores escolheram vocês para o segundo turno?

Nessa eleição, tivemos três chapas de oposição à forma como a universidade vem sendo administrada nos últimos 4 anos. E a maioria votante da UFPel decidiu que a UFPel merece mais. Como já dissemos acima, o programa UFPel Mais já possui uma tradição e reconhecimento dentro da nossa universidade. Acreditamos que o reconhecimento da importância de um projeto humanista, com seu desdobramento em uma administração horizontalizada e inclusiva, seja a razão de termos chegado ao segundo turno. A partir dessa liderança e considerando que o projeto UFPel Mais possui, em seus princípios e propostas de ação, muitas convergências com os projetos das demais chapas de oposição, pudemos unificar as oposições e estaremos juntos no pleito em seu segundo turno. Além disso, os eleitores reconheceram na chapa dois aspectos: primeiro, o equilíbrio entre as áreas do conhecimento, visto que cada um dos membros da chapa representa áreas diferentes (humanas/licenciatura; sociais aplicadas/administração; saúde; agrárias e exatas), bem como diferentes espaços da universidade (campus Porto, Anglo, Capão e unidades do centro da cidade); segundo, a experiência, com um candidato a Reitor com quase três décadas de docência na UFPel, tendo muita prática tanto no ensino, quanto na pesquisa, na extensão e na administração.

 

4. Na gestão da UFPel, há algo que manterão “a todo custo”? Há algo que necessariamente farão diferente?

O grupo UFPel Mais se move a partir de princípios que consideramos inalienáveis e que defendemos e manteremos “a todo custo”: 1) a manutenção e ampliação do ensino público, gratuito e de qualidade e 2) a defesa da Universidade Pública e de suas autonomias administrativa, acadêmica e institucional. Faremos diferente em defender um outro princípio que, apesar de ser tema dos mais diversos discursos, não tem sido levado em conta:  o reconhecimento do papel central do Projeto Político-Pedagógico da instituição como balizador de todo o processo de tomada de decisão. Além disso, na perspectiva de implementar um modelo humanista de universidade, vamos estabelecer uma gestão verdadeiramente democrática, compartilhada, eficiente e transparente, que promova o sentido de pertencimento em cada aluno e em cada servidor. Necessariamente trataremos nossa comunidade de modo bem distinto do atual, ao administrar enxergando pessoas, para além de números e planilhas. Trabalharemos reconhecendo a diversidade das demandas por serem áreas diferentes, com características próprias. O ambiente opressor com inúmeras denúncias de assédio praticado por ocupantes de cargos precisa urgentemente se tornar uma página desprezível do passado de nossa universidade.

 

5. Sendo eleitos e não escolhidos pelo presidente, o que pensam fazer?

Na UFPel, a escolha da listra tríplice a ser enviada ao presidente da república é feita a partir de uma consulta informal à comunidade da universidade. Assim, os três nomes que serão enviados ao MEC serão do mesmo grupo e defendem a mesma proposta de administração. Nestas condições, não há vantagem política para a presidência da república em nomear reitor qualquer pessoa que não seja o primeiro da lista. A comunidade da UFPel sempre esteve mobilizada para garantir que o primeiro da lista seja nomeado, e temos o compromisso de fazer parte desta mobilização.