A leitura e os estudantes de Pedagogia: uma pesquisa


“A Leitura de estudantes de Pedagogia em 2019: Primeiro e Segundo Semestre”, elaborado pelo estudante Valdoir Simões Campelo é mais um dos trabalhos apresentado no CI/UFPel 2019 que tu vais conhecer agora. A seguir, o resumo completo enviado ao evento que foi apresentado no dia 22 de outubro de 2019.  

1. INTRODUÇÃO

No trabalho apresento alguns resultados de uma investigação sobre o tema Leitura Literária entre estudantes que ingressaram na Licenciatura em Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas no ano de 2019. Como corpus considerei os estudantes que estão frequentando a Licenciatura atualmente, tendo ingressado parte em março (2019/1 – diurno) e os demais em agosto (2019/2 – noturno). Integrada à pesquisa “Perfil leitor do estudante de Pedagogia FaE/UFPel: 2017-2020”, selecionei um grupo de questões – seis – entre as 20 da pesquisa ampla. O intuito foi conhecer se os estudantes do 1° e 2º semestres da Licenciatura em Pedagogia declaram gostar de ler, o que costumam ler, se há preferência por algum tipo de texto ou portador de texto, qual o local e período do dia em que mais conseguem ler e qual seu livro predileto.
Pesquisadores como Lígia Cademartori (2014), Ana Maria Machado (2002), Graça Paulino (2014) e Regina Zilberman (2005), concordam que o texto literário deve ser ponto de partida para a alfabetização literária de qualquer pessoa. Já Tzvetan Todorov (2010) nos ensina que a principal função de um professor é iniciar as crianças e os jovens “nessa parte tão essencial de nossa existência que é o contato com a grande literatura” e que a escola deveria “ensinar os alunos a amar a literatura”. A leitura, para a Pedagogia, é essencial. Cabe a esse profissional, na escola, ser ponte entre os livros, seus autores e ilustradores e os estudantes, pois toda iniciativa realizada na base da escolarização reverbera em desenvolvimento cognitivo e imaginativo.

2. METODOLOGIA

De cunho qualitativo – por estar interessada em “compreender e explicar a dinâmica das relações sociais que, por sua vez, são depositárias de crenças, valores, atitudes e hábitos” e que tem como objeto de interesse a “vivência, a experiência, a cotidianidade e a compreensão das estruturas e instituições, de acordo com Minayo (2002, p. 24) –, a pesquisa “Perfil leitor do estudante de Pedagogia FaE/UFPel:2017-2020” vem sendo desenvolvida por diferentes estudantes bolsistas do PET Educação. Tem como foco conhecer e descrever hábitos literários, autores, gêneros e títulos preferidos e as influências do ensino superior nas escolhas do que e quando ler.
A metodologia de pesquisa é descrita por Minayo (2002, p. 16) como a confluência de “concepções teóricas de abordagem”, “conjunto de técnicas” que possibilitam a observação e análise da realidade e a influência do “potencial criativo do investigador”. Para a autora, a pesquisa qualitativa “responde a questões muito particulares” e se preocupa com “um nível de realidade que não pode ser quantificado” (MINAYO, 1994, p. 21). De acordo com essa abordagem, optei por dar visibilidade a algumas respostas propostas pelo questionário que, desde 2017, vem sendo respondido por turmas da Pedagogia. Nele há 20 questões e, neste recorte, escolhi considerar as respostas de ingressantes em 2019 (1º e 2º semestre letivos) às seis primeiras questões. O intuito foi conhecer se gostam de ler, o que costumam ler, se há preferência por algum tipo de texto ou portador de texto, qual o local e período do dia em que mais conseguem ler e qual seu livro predileto.

3.    RESULTADOS E DISCUSSÃO
Entendo por metodologia “o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade” (MINAYO, 2002, p. 16). Assim, entre os resultados, o meu amadurecimento como pesquisador. Penso que agora, após esse ensaio, estou mais preparado para o próximo. A partir das leituras das respostas colhidas nas duas turmas (50 estudantes na 2019/1 e 42 na 2019/2) pude perceber: a) No que se refere ao tempo disponível para leitura, 47,7% dos que estudam à tarde e 39,1% dos que estudam à noite indicaram ler à noite; b) O local que leem com mais frequência é a casa para 52% dos que estudam à tarde e 48,1% na outra; c) Os estudantes disseram que costumam ler livros físicos (16,4% da turma diurna) e livros (12,1%) ou Facebook (12,1%) os estudantes noturnos; d) Perguntados se gostam de ler, responderam que gostam muito (34% turma diurna) e 33,3%  da noturna; e) Ao revelar o gosto a respeito de portadores de texto atribuindo entre 1 para “menos gosto” até 10 para “mais gosto”, observei os seguintes resultados: Entre estudantes que estudam à tarde, em 1º lugar aparecem livros, em 2º o Celular, em 3º o Face book, em 4º Posts na internet, em 5º textos da faculdade, em 6º Revistas, em 7º Panfletos/encartes/catálogos, em 8º Jornais, em 9º Gibis e em 10º, Obituários. A turma de estudantes que frequentam a Pedagogia à noite indicou gostar mais de ler livros, depois mensagens e demais no Celular. Em 3º aparecem textos da faculdade, em Posts na internet, em 5º Facebook, em 6º Gibis, em 7º Panfletos/encartes/catálogos, em 8º Revistas, em 9º Jornais e em último, Obituário.
Outra revelação interessante foi a respeito dos livros prediletos. Apesar de 12 estudantes (24%) afirmarem não ter livros prediletos, dois responderem “Quero um predileto”, um dizer que não tem livros, um indicar um autor (Augusto Cury) em vez de um título, outro indicar um gênero literário – Romance Espírita – e um escolheu um texto científico – Vigiar e Punir, de Michel Foucault. Os prediletos da turma que estuda à tarde são: A Culpa é das Estrelas (cinco indicações), O Pequeno Príncipe (três), Cidades de papel (duas), Contos Brasileiros (duas) e Sapiens: uma breve história da humanidade (duas). Os demais títulos foram mencionados uma vez cada e são: 20 Dicas de ouro para educar alunos e filhos, A Cabana, A noite que não acabou, A seleção de Kiera Cass, A sútil arte de ligar o foda-se, A trilogia senhor dos anéis, Ana terra, Bíblia, Carandiru, Como eu era antes de você, Desventuras em série, Do coração de Telmah, Do seu lado, Dom Casmurro, Fazendo meu filme, Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, Minhas férias, pula uma linha parágrafo, O homem mais inteligente da história, O príncipe encantado, O segredo, O símbolo perdido, Onde deixarei meu coração, Percy Jackson, o ladrão de raios, Saga Crepúsculo, Sussurro, Um Certo Capitão Rodrigo, Um Gato De Rua Chamado Bob.
A turma que estuda à noite escolheu os seguintes títulos, indicados apenas uma vez cada: 50 tons de cinza, A menina que roubava livros, A seleção, A última música, Co-dependência, Crônicas de Nárnia, Depois daquela viagem, Garota do calendário, Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, Mais lindo que a lua, Misto quente, O monge e o executivo, O mundo de Sofia, Ninguém desvia o destino, O doador de memórias, O pequeno príncipe, Por lugares incríveis, Quem é você Alaska Quero um predileto, Uma curva na estrada. Além destes, seis pessoas mencionaram gêneros literários em vez de um título – Contos, Contos de Fadas, Literatura Africana, Literatura Infantil, Romance e Suspense. Uma citou um romance histórico – As veias abertas da América Latina – e três mencionaram autores em vez de títulos – Bukowski, Kiera Cass e Umberto Eco. Uma pessoa mencionou o livro Alfabetização: a questão dos métodos, de Magda Soares e onze estudantes declararam não ter livros literários prediletos.

3.    CONCLUSÕES
Observando as respostas obtidas na leitura dos questionários respondidos pelas duas turmas de estudantes de Pedagogia, algumas conclusões são possíveis. Estando no segundo semestre da Licenciatura, é incrível que 12 estudantes tenham declarado não ter livros prediletos. Se adicionados aos dois que responderem “Quero um predileto” e ao que afirmou não ter livros, o grupo sem predileção chega a 30% da turma. No entanto, a mais intrigante conclusão aparece quando observo as respostas da turma que estuda à noite, na qual 22 estudantes (52,38% do total da turma não indicou livros literários). Os estudantes de Pedagogia não leem?


5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


CADEMARTORI, Lígia. Literatura Infantil. Glossário CEALE, 2014. Disponível em: <http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/literatura-infantil>. Acesso em 02/09/2019.

MACHADO, Ana Maria. Como e por que ler os clássicos universais desde cedo.  Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18 ed. Petrópolis: Vozes, 2001. Disponível em: <http://www.faed.udesc.br/arquivos/id_submenu/1428/minayo__2001.pdf. >. Acesso em 03/09/2019

PAULINO, Graça. Leitura Literária. Glossário CEALE, 2014. Disponível em: <http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/leitura-literaria>. Acesso em 02/09/2019.

QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Manifesto por um Brasil literário. Disponível em: <http://www.brasilliterario.org.br/manifesto.php>.  Acesso em 02/09/2019

TZVETAN, Todorov. A literatura em perigo. Rio de Janeiro: Difel, 2009.

ZILBERMAN, Regina. A Literatura Infantil na Escola. São Paulo, Global, 2003.

Literatura Infantil, Interdisciplinaridade e a Revolução Científica


A Literatura infantil enquanto ferramenta interdisciplinar de ensino no contexto da revolução científica: mais um dos trabalhos do PET Educação.


Cristina Maria Rosa
Tutora


          Entre os dias 21 e 25 de outubro de 2019 ocorreu, na Universidade Federal de Pelotas, mais um grande evento científico: a SIIEPE/UFPel. O PET Educação se fez representar com dez trabalhos científicos elaborados, desenvolvidos e apresentados por doze bolsistas. Um deles tu vais conhecer a seguir. Se trata do resumo completo de "A Literatura infantil enquanto ferramenta interdisciplinar de ensino no contexto da revolução científica", elaborado por Alisson Castro Batista sob orientação da Drª Cristina Maria Rosa pode se conhecido a seguir:


1. INTRODUÇÃO

No trabalho revelo resultados recentes da pesquisa exploratória com a qual objetivo analisar e descrever o caráter Interdisciplinar da Literatura Infantil no contexto da Revolução Científica. A partir dos dados bibliográficos levantados e da observação de experiências de estágio docente de dois Pedagogos recém-formados na FaE/UFPel, intenciono compor um rol de textos literários que representem e/ou oportunizem a interdisciplinaridade através da leitura literária com crianças na escola.
De acordo com HARARI (2018), até meados do século XVII, no geral, as pessoas trabalhavam apenas para preservar os conhecimentos já adquiridos, a fim de manter a ordem social estabelecida. As religiões eram, até então, tidas como a principal fonte de conhecimentos, sendo uma estrutura verticalmente hierarquizada, tendo em seu topo os detentores dos conhecimentos mais avançados. A idéia de que existiria uma sabedoria universal, proveniente de deuses ou sábios do passado, era partilhada por praticamente todos os humanos. O que parece ter mudado nos últimos séculos é a perspectiva sobre as possibilidades de se conhecer a realidade através de nossas próprias capacidades humanas, ainda que se acredite que estas sejam provenientes de alguma inteligência superior. Nas palavras do autor:

“A ciência moderna não tem dogma. Mas tem um conjunto de métodos de pesquisa em comum, todos baseados em coletar observações empíricas (...)“ (HARARI, 2018).

Através dos métodos científicos modernos e das tecnologias provenientes destes, fomos capazes de transformar nossas culturas humanas em diversos aspectos. Epistemologicamente, estas mudanças, no geral, se dão através da divisão das áreas do conhecimento, promovendo a lógica da fragmentação das análises. Chamamos estas divisões de disciplinas. De acordo com BICALHO (2011), a interação entre as disciplinas pode ser dividida em níveis crescentes com relação à intensidade de interatividade. Comecemos pelo Multidisciplinar, que sendo o primeiro nível de interação consiste em ações e estudos isolados em torno de uma temática em comum, norteados ao mesmo objetivo, porém sem interações diretas entre as disciplinas. A seguir vem o nível Interdisciplinar, que é caracterizado pela existência de um axioma superior hierarquicamente, que orienta as disciplinas ao seu objetivo, de forma que estas interajam entre si e se apoiem na construção dos conhecimentos. Ainda temos a Transdisciplinaridade, que seria um nível de interação além da Interdisciplinaridade, em um universo mais amplo, de observação holística dos fenômenos. De acordo com FAZENDA (2012), diversas são as possibilidades de elementos coordenadores Interdisciplinares. Recentemente, a Robótica e a Astronomia, por exemplo, são áreas que têm sido bastante exploradas neste sentido. A Música, o Teatro e a Jardinagem são exemplos mais clássicos, que estão mais presentes em algumas de nossas escolas há mais tempo, quando comparadas com as anteriores. Dentre tantas possibilidades, escolhi, para essa investigação, o campo da Literatura Infantil como “elemento coordenador interdisciplinar”.
Segundo Zilberman (2015), “Os primeiros livros para crianças foram produzidos ao final do século XVII e durante o século XVIII. Antes disso, não se escrevia para elas, porque não existia a ‘infância”. Neste período as crianças eram vistas na sociedade como adultos em miniatura, não tendo suas necessidades de desenvolvimento atendidas (ou sequer compreendidas). A ignorância acerca da infância só passou a ser superada na transição para a Idade Moderna. Ainda segundo Zilberman, essa mudança de paradigma aconteceu devido à constituição do modelo familiar burguês e levou a maior união interna nas famílias, mas também proporcionou “meios de controle do desenvolvimento intelectual da criança e manipulação de suas emoções” (ZILBERMAN, 2015). Zilberman (2015) afirma ainda que a Literatura Infantil e a Escola foram “convocadas para cumprir essa missão”. E devido a isso, evidencia a falta de reconhecimento do caráter artístico de parte da literatura infantil, pois por ter sido escrita, em sua grande maioria, por professores e pedagogos, apresenta muitas vezes em sua intencionalidade, a didática como prioridade. Neste sentido, a escola torna possíveis ou mais intensas, as conexões entre o público infantil e este tipo literatura. Como afirma Zilberman (2015) a escola e a literatura compartilham “um aspecto em comum: a natureza formativa”. E que “De fato, tanto a obra de ficção como a instituição de ensino estão voltadas a formação do indivíduo ao qual se dirigem.” Porém, ainda que compartilhem deste aspecto em comum, não se limitam a isso. É justamente este o ponto de diferenciação nas abordagens da escola como um todo e da literatura infantil no processo de sintetização da realidade: o isolamento disciplinar, no caso da escola, e a interação contextual interdisciplinar que a literatura proporciona. Esta diferenciação fica evidente quando “a literatura infantil atinge o estatuto de arte literária e se distancia de sua origem comprometida com a pedagogia, quando apresenta texto de valor artístico a seus pequenos leitores, de acordo com ZILBERMAN (2015). A pesquisadora afirma que a grande carência das crianças seria “o conhecimento de si mesma e do ambiente no qual vive” e que neste contexto, a ficção lhe permite “uma visão de mundo que ocupa as lacunas resultantes de sua restrita experiência existencial, por meio de sua linguagem simbólica.”

2. METODOLOGIA

De cunho qualitativo, inicialmente realizei uma pesquisa bibliográfica sobre os conceitos envolvidos: ciência, revolução científica, interdisciplinaridade, literatura, infância e leitura na escola. Entre os livros selecionados, Sapiens, uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari, devido a sua contemporaneidade e clareza ao descrever as principais revoluções da história da humanidade, dentre elas a científica, que fundamenta contextualmente este trabalho. Sobre o tema Interdisciplinaridade escolhi duas autoras: Ivani Fazenda (Interdisciplinaridade: História, teoria e pesquisa) e Lucinéia Maria Bicalho (Aspectos conceituais da Multidisciplinaridade e da Interdisciplinaridade e a pesquisa em Ciência da Informação). Para fundamentar o tema da Literatura Infantil escolhi ler A literatura infantil na escola, da autora Regina Zilberman.
Além da revisão teórica, como procedimentos metodológicos de pesquisa adotei: a) Entrevistas com dois pedagogos recém formados sobre o uso da literatura infantil como ferramenta Interdisciplinar de ensino,  que foram gravadas, transcritas e analisadas pelo próprio pesquisador, tendo, no momento da análise, sido organizadas, a partir das experiências práticas dos entrevistados, em categorias conceituais tais como: a interdisciplinaridade na realidade escolar atual, a literatura infantil na escola e nos ambientes fora dela, os potenciais proveitos interdisciplinares da literatura na escola, as práticas da leitura literária na sala de aula, o uso de ilustrações nos livros de literatura infantil e suas  possíveis implicações para a experiência do leitores, o potencial pedagógico das múltiplas interpretações variadas das narrativas lidas e os resultados de aprendizado dos conceitos esperados constatado nos alunos, a partir de práticas constantes de leitura literária na sala de aula; b) Análise do acervo da Sala de Leitura Erico Verissimo – estrutura acadêmica integrada à formação de professores leitores na FaE/UFPel – em busca de títulos, gêneros e autores concernentes ao tema; c) Composição de um acervo com obras que se coadunam com a possibilidade interdisciplinar a serem lidas a um grupo de crianças que frequentam o 3º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública municipal em Pelotas, RS.


3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No atual contexto escolar altamente disciplinarizado, a Literatura Infantil pode ser utilizada como ferramenta de coordenação entre os conteúdos das disciplinas, devido a diversos potenciais benefícios cognitivos para os leitores, como, por exemplo, o desenvolvimento das capacidades de concentração, da criação de imagens mentais complexas e da reversibilidade do pensamento. Estas capacidades cognitivas têm sido constantemente desestimuladas no contexto da Revolução Científica em que vivemos, devido à prontidão das informações e dos elementos sensoriais disponíveis nos filmes, séries, jogos eletrônicos, dentre outras manifestações artísticas tecnológicas.
Pedagogicamente, as variadas, surpreendentes e múltiplas interpretações de narrativas são aspectos altamente exploráveis, pois podem proporcionar longas e produtivas discussões e reflexões. Trata-se de um fenômeno democrático que, inclusive, caracteriza o aspecto artístico da Literatura Infantil. Como aponta ZILBERMAN (2015): “Ela sintetiza, por meio dos recursos da ficção, uma realidade, que tem amplos pontos de contato com o que o leitor vive cotidianamente”.
            Além destas constatações, no trabalho apresento uma seleção de obras literárias que possuem potenciais interdisciplinares. É um pequeno acervo a ser lido para crianças que frequentam o 3º ano do Ensino Fundamental (entre oito e dez anos de idade) e que são: 1. O pote vazio, de Demi, traduzido por Monica Stahel; 2. A lagartixa que virou jacaré, de Izomar Camargo Guilherme; 3. O frio pode ser quente? de Jandira Masur; 4. O verde brilha no poço, de Marina Colasanti; 5. Revolução no formigueiro, de Nye Ribeiro; 6.  O lobo e o carneiro no sonho da menina, de Marina Colasanti; 7. Quem sou eu? de Gianni Rodari; 8. Pinote, o fracote e Janjão, o fortão, de Fernanda Lopes de Almeida e Alcy Linares; 9. O contrário, de Tom MacRae e Elena Odriozola; 10. Osso do ofício, de Gilles Eduar.

4. CONCLUSÕES

A Literatura Infantil revela-se uma poderosa ferramenta Interdisciplinar, pois se constitui de diversos conhecimentos disciplinares de base, que são solicitados e desenvolvidos ao utilizá-la, orientando-os em uma direção comum, construída a partir das reações e interpretações dos alunos, do contexto em que será apresentada a obra literária aos leitores, como também pelo conteúdo literário dos livros. Estas práticas devem fugir da roteirização da interpretação das obras literárias, buscando a construção de ambientes que estimulem a autonomia e a criatividade através da imaginação e da liberdade interpretativa dos leitores.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HARARI, Y N. Sapiens, Uma breve história da humanidade. Local de Edição: Editora, 2018

FAZENDA, I C. Interdisciplinaridade: História, teoria e pesquisa. Papirus Editora, 2017.

ZILBERMAN, R. A Literatura infantil na escola. Global Editora e Distribuidora Ltda,  2015.

BICALHO; OLIVEIRA, L M; M. Aspectos conceituais da Multidisciplinaridade e da Interdisciplinaridade e a pesquisa em Ciência da Informação. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 16, n. 32, p. 1-26, 2011.


Compartilhar emoções: PET e o encontro de contadores


Os livros compartilhados
Cristina Maria Rosa
Tutora PET Educação

O que há nos livros que os tornam tão misteriosos, repletos de segredos, impossíveis de serem ignorados? Por que, apesar de tantos dispositivos para não ler, aficionados ainda insistem em permanecer horas concentrados, imersos e desligados, folheando e imaginando? Afinal, o que há nos livros que os tornam insubstituíveis?
 A frequente pergunta a quem os defende e cultua foi respondida recentemente por uma das maiores escritoras do Rio Grande do Sul. Para Lia Luft, nos livros há “experiências impossíveis no cotidiano, viagens, aulas de psicologia, de história. Sensibilidade e emoção, aventura, diversão e crescimento pessoal” (LUFT, 2017, p. 04).
Para mim, o livro e a leitura de seus segredos é a única experiência essencialmente individual. Não há como dividir o que sentimos quando estamos lendo.
Apesar disso, tentamos.
E são as tentativas de impactar os demais com nossas emoções que nos tornam mediadores. Assim, o processo de apresentação deliberada do livro, seu autor e trama aos outros é uma forma de compartilhamento do impossível: o prazer da escolha, o significado do lido, as emoções e conexões vividas. Mais que isso: é uma forma de legar sentidos! 
Tentemos...

Leitura na escola
Na escola, a “trama” da leitura deve ser ofertada aos estudantes em um processo deliberado, organizado, criterioso e frequente. Apresentar o “mundo da literatura”, seus atributos e ritos a todas as crianças desde que iniciam sua vida escolar é um dever para cada educador. Mas com certeza, um prazer, também!
Nelly Novaes Coelho
Pensadores como Ana Maria Machado (2002), Graça Paulino (2014), Lígia Cademartori (2014), Nelly Novaes Coelho (1991) e Regina Zilberman (2005), concordam que o texto literário deve ser ponto de partida para a alfabetização literária. E Tzvetan Todorov (2010) nos ensina que a principal função de um professor é iniciar os seus “nessa parte tão essencial de nossa existência que é o contato com a grande literatura” e que à escola deveria “ensinar os alunos a amar a literatura”.

Contadores e leitores

Há diferença entre ler e contar histórias?
Tu sabes quais são?
Contar é antropológico. Contar é ancestral. Contar é acessar um repertório individual e coletivo que faz sentido a determinada família ou mesmo sociedade. Contar é narrar a experiência, é transmitir “a partir da experiência”. Contar é narrar uma história, rememorar um fazer. É experimentar o retorno a “certas emoções antigas e presentes”. Contar é tornar perene no tempo “a partir do vislumbre de um narrador qualificado” o “sentido do que lhe está sendo transmitido”. Contar é repassar adiante. Contar, por fim e de acordo com Silveira (2011) “assim como a própria narrativa” não é um ato “desinteressado”, ingênuo, espontâneo.
Ler é cultural. Ler é reinventar a escrita. Ler é assumir que a linguagem é uma “faculdade cognitiva exclusiva da espécie humana que permite a cada indivíduo representar e expressar simbolicamente sua experiência de vida, assim como adquirir, processar, produzir e transmitir conhecimento” (BAGNO, 2014).
Assim, a leitura, diferente da contação de histórias, oportuniza o contato com o texto literário que, apesar do tempo e do mediador, mantém-se inalterado, com o léxico, a estrutura textual e as escolhas poéticas do autor.
Um bom mediador dá nome a quem de direito: ao autor, a autoria; ao mediador, os sentimentos todos que encontrou ali e quer perpetuar, divulgar, evidenciar.
Concluindo: Ler é diferente de contar. Não é mais nem menos. É diferente.


Um evento
Para invadir o imaginário de mais e mais aprendizes da arte de admirar livros, a Camila Pierzckalski criou um encontro de contadores de histórias. Nas salas centenárias da Biblioteca Pública Pelotense.

O segundo encontro será realizado em parceria entre a BPP (setor infantojuvenil) e a Sala de Leitura Erico Verissimo (da FaE/UFPel). Os estudantes da Licenciatura em Pedagogia, do PET Educação e do GELL - grupo de estudos em Leitura Literária estarão no evento como:
1.      Personagens dos contos infantis na recepção aos inscritos;
2.      Mediadores das rodas de conversas simultâneas;
3.      Leitores de histórias 

Programa:
Inscrições: até dia 08/11, no site do evento;
Dia 16, 9 horas:
1. Recepção aos inscritos pelos personagens da BPP e SLEV - Sala de Leitura Erico Verissimo da FaE/UFPel;
2. Credenciamento na entrada da BPP;
9 horas e 30 minutos: Passeio explorativo do espaço da BPP: Camila Pierzckalski;
10 horas: Rodas de conversas simultâneas sobre os temas:
1. Mediação Literária e Práticas Pedagógicas - PET Educação;
2. Leitura Literária e a importância da formação de leitores - GELL FaE/UFPel;
3. Processo de Formação Leitora - Sala de Leitura Erico Verissimo
11 horas e 30 minutos: intervalo para almoço
13 horas e 30 minutos: Metodologias de leitura e contação de histórias com Camila Pierzckalski (BPP), Cristina Rosa (FaE/UFPel), Cinara Postringer e Paloma Wiegand  (SLEV), Estefânia Konrad, Jéssica Corrêa, Mariana e Valdoir Simões (PET Educação);



Não perca! Vagas limitadas!
Venha compartilhar desses momentos! Ele ocorre no dia 16 de novembro, entre 9 e 15 horas, na Biblioteca Pública Pelotense. Faça sua inscrição e garanta sua ecobag! Clique no site da BPP e não perca! As vagas são limitadas...

Interdisciplinaridade: todas as pesquisas do PET Educação em 2019

Leitura e Interdisciplinaridade: uma das características do PET Educação em 2019
Cristina Maria Rosa
Tutora do Grupo PET Educação


Leitura e Interdisciplinaridade foi o elo que tornou evidente uma estratégia de formação de professores empreendida pela tutoria do PET Educação em 2019.

Entranha dos diferentes trabalhos de pesquisa apresentados pelo PET Educação na SIIEPE da UFPel em 2019, a interdisciplinaridade só é possível quando se observa o mundo como um todo. Nesse mundo possível, as “partes” dialogam, disputam, concorrem e se complementam, ao mesmo tempo, sem detrimento de uma ideiazinha sequer.
Tudo interessa, pode ser considerado, eventualmente descartado. O intuito é a potência do saber e dos procedimentos para saber mais. Desde leitura para bebês, para crianças nas escolas, para meninas em busca de poder, indígenas e quilombolas a estudantes de Pedagogia, ingressantes e formandos, tudo foi tema de estudo. Inclusive a própria temática, abordada por Alisson Castro Batista em sua investigação. Nos demais trabalhos apresentados, há explícitas decorrências dessa ideia de estudo e intervenção.

Interdisciplinaridade
Qual o significado da palavra Interdisciplinaridade? Para Bicalho (2011) a interação entre as disciplinas pode ser dividida em níveis crescentes com relação à intensidade de interatividade e a Interdisciplinaridade é caracterizada pela existência de um axioma superior hierarquicamente, que orienta as disciplinas ao seu objetivo, de forma que estas interajam entre si e se apoiem na construção dos conhecimentos. Interdisciplinar, então, é um adjetivo que qualifica o que é comum a duas ou mais disciplinas, ramos, campos ou até áreas do conhecimento. É o processo de ligação entre as disciplinas.
A palavra interdisciplinar é formada pela união do prefixo “inter” (dentro, entre, em meio) com a palavra “disciplinar”, que tem um sentido pedagógico de instruir, com preceitos, regras e procedimentos. O intuito, sempre, é relacionar conteúdos para aprofundar o conhecimento a respeito de algo e tornar o estudo mais interessante, uma vez que na “vida real”, tudo está interconectado.
A SIIEPE 2019 e o PET Educação: 10 trabalhos envolventes
No PET Educação, buscamos relacionar com profundidade todos os temas a serem pesquisados, não esquecendo nunca que as peculiaridades e curiosidades do investigador iniciante devem ser respeitadas. Foi dessa dinâmica que surgiu a definição do que cada estudante bolsista escolheria como foco para a SIIEPE na UFPel, que ocorreu entre 21 e 25 de outubro de 2019, quando, diante de uma plateia atenta e uma banca qualificada, todos comunicaram o que descobriram.
O que pesquisar?
A escolha dos temas foi definida em maio de 2019 e, logo depois, ações no sentido de colher dados relevantes, empreender procedimentos ainda não finalizados e escrever o resumo para envio ao evento foram desencadeados. O resultado – 10 trabalhos instigantes – deram origem às apresentações orais dos doze bolsistas.
Leia, a seguir, os títulos dos resumos enviados, aprovados e apresentados pelo grupo no dia 22/10/2019.
1.                 A leitura de estudantes de Pedagogia em 2019: primeiro e segundo semestre Valdoir Simões Campelo;
2.                 A literatura infantil enquanto ferramenta interdisciplinar de ensino no contexto da revolução científica – Alisson Castro Batista;
3.                 Autismo na escola: o que dizem as professoras? Mariana Paz
4.                 Caminhos das pedras: quilombolas na biblioteca escolar Fernanda Vieira Dos Santos
5.                 Futuros(as) Pedagogos(as) FaE/UFPEL trabalham durante a graduação? Estefânia Alves Konrad e Luzia Helena Brandt Martins;
6.                 Há livros “para meninas” na Sala de Leitura Erico Verissimo?
7.                 Há livros para bebês no acervo da Sala de Leitura Erico Verissimo? Cinara Tonello Postringer e Paloma Wiegand;
8.                 Inspirações para ler: o que dizem os estudantes de pedagogia da FaE/UFPEL Angélica Dos Santos Karsburg;
9.                 Repertório literário de estudantes de pedagogia da Faculdade de Educação em 2018 Débora Monteiro da Silva;
10.             Um olhar sobre a literatura indígena Alessandra Steilmann.