PET Educação e a literatura

Reunião preparatória ao 2º Encontro de Contadores de Histórias.
Biblioteca Pública Pelotense.

O PET Educação atua, desde 2016, em consonância com o GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária e com a Sala de Leitura Erico Verissimo. O foco é alfabetizar literariamente.

Em 2019, integrantes do PET educação estiveram em diversas escolas públicas. Em todas elas, o que mais fizemos foi ler e apresentar a Literatura a crianças, adolescentes e seus professores. Acompanhe algumas das ações do grupo e em 2020, venha conhecer o PET Educação. Nossa sala, a 257, fica nas dependências da Faculdade de Educação da UFPel, à Rua Alberto Rosa, 154.

As ações em novembro e dezembro:
1.     02, 09 e 16 de Novembro de 2019: Espetáculo Literário O mate do João Cardoso. Museu do Doce. Centro Histórico de Pelotas,
2.     16 de Novembro de 2019: 2º Encontro de Contadores de Histórias. Biblioteca Pública Pelotense;
3.     17 de novembro de 2019: Lançamento do Livro infantil Íris e a Beterraba. Biblioteca Pública Pelotense;
4.     06 de dezembro de 2019: Jornadinha Literária na Escola;
5.     07 de dezembro de 2019: Jornadinha no CMP;
6.      21 de dezembro de 2019. Natal na escola.

Uma das professoras do CMP escreveu:

“Gratidão é o sentimento que nos define! Parabéns professora Cris e grupo GEEL pelo trabalho maravilhoso desenvolvido em nossas escolas. Agradeço profundamente em nome da comunidade escolar e principalmente em nome dos meus pequenos leitores a presença da Paloma, a Charlô Parspatu, que em uma linda apresentação, encantou a todos com o seu carisma graciosidade!! Muito, muito obrigada!!!”

Ações do PET Educação: avaliando 2019

Avaliar as atividades desenvolvidas em um ano inteiro não é tarefa que se faz sem um misto de saudade e nostalgia.
No entanto, avaliar, para o PET Educação, é um compromisso.
Novembro e Dezembro  são meses que concentram quase todas as atitudes de final de projetos, integração com escolas e, ao mesmo tempo, finalização das atividades acadêmicas.
Envolvidos em muitos projetos o ano inteiro, é nesses dois meses do ano que quase tudo acontece: a SIIEPE, as jornadas literárias nas escolas, a Feira do Livro e as avaliações das atividades. Acompanhe a seguir algumas das atividades do PET Educação em 2019 e venha nos conhecer em 2020!
Cristina Maria Rosa
Tutora PET Educação
Gestão 2019-2022

Formação de professores leitores: O grupo integrou o projeto de extensão “Leitura Literária na Escola”, coordenado pela docente Cristina Maria Rosa. Nesse ano de 2019, a escola que recebeu o PET foi a Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora de Lourdes, que fica na Rua João Nunes da Silva Tavares, 165, Bairro Fragata. Outra ação importante e que se transformou em “fechamento” do ano foi a aula “Critérios de escolha de obras literárias para a infância”, ministrada pela Tutora do grupo, professora Cristina Rosa, na Livraria Vanguarda do Shopping, dia 05/12, quinta feira, das 15 às 17 horas. Como fechamento do ano de formação, no dia 06/12 o grupo ainda participou da Jornada Literária na escola. Personagens (Branca de Neve, Princesa Tiana, Fotógrafa Letícia e Bruxa Aprendiz) foram até a escola para ler para as crianças. Sobre nosso trabalho na escola, a Coordenadora Pedagógica, Adriana Costa Silveira escreveu: “Tem coisas acontecendo que nem imaginava! Fico feliz por fazer parte de tudo isso! Obrigada por me incentivar a seguir, quando todas as possibilidades são para a desistência de um sonho”;
2º Encontro de Contadores de Histórias: Descobrir o que há nos livros que os tornam tão misteriosos, repletos de segredos e impossíveis de serem ignorados é uma das curiosidades do PET Educação. Apesar de tantos dispositivos para não ler, aficionados ainda insistem em permanecer horas concentrados, imersos e desligados, folheando e imaginando.
Para invadir o imaginário de mais e mais aprendizes da arte de admirar livros, a pedagoga do Setor Infanto-juvenil da Bibliotheca Pública Pelotense (BPP), Camila Pierzckalski, organizou, junto com estudantes e a tutora do PET Educação, organizou o 2º Encontro de Contadores de Histórias. O evento ocorreu no dia 16 de novembro, entre 9h e 15h, na Biblioteca Pública Pelotense. Ali, os bolsistas do PET Educação puderam ler e ouvir muitas histórias. O evento foi realizado em parceria entre a BPP e a Sala de Leitura Erico Verissimo (SLEV da FaE/UFPel) com o apoio estrutural do PET Educação que, através de personagens de contos, receberam os inscritos, foram mediadores em rodas de conversas simultâneas e, também, leitores de histórias.
Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Professores Leitores: ocorrido em Pelotas, ente abril e dezembro de 2019, o curso foi coordenado pela Bibliotecária Simone Echebeste, pela Tutora PET Educação Drª. Cristina Maria Rosa e pela Pedagoga Estela Sampaio. Para sua realização contou com o apoio do CETEP e da SMED Pelotas, da Bibliotheca Pública Pelotense, da Faculdade de Educação da UFPel, do GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária, SLEV – Sala de Leitura Erico Verissimo e PET Educação. O encerramento, ocorrido dia 13/12 foi no Museu do Doce e, após, o grupo reuniu-se para um café no Mercado Central. No caminho, parte do grupo sentou ao lado da estátua de um personagem inspirador: JSLN, que se localiza na Praça Cel. Pedro Osório, Centro Histórico da cidade. 
Lançamento de obra digital “Iris e a Beterraba”: a partir do Projeto “Leitura Literária na Escola” e “Autor na escola”, o PET Educação esteve representado pela Tutora, professora Cristina Rosa no 4º ano do Ensino Fundamental no Colégio Municipal Pelotense. A convite da Docente Kátia Schneider, inicialmente o conto “Íris e a Beterraba” foi lido em voz alta. Após, as crianças desenharam uma das cenas do conto. Cada um dos desenhos foi digitalizado e passou a integrar o arquivo de produção do livro digital. O lançamento da obra (projeção do livro, leitura literária, autógrafos e comemoração) ocorreu no Domingo, dia 17 de novembro, no Salão Nobre da Biblioteca Pública Pelotense. Lá, os desenhos originais estiveram em exposição e os autores e seus familiares, presentes;

Novembro e Dezembro de 2019: as ações do PET Educação

Novembro e dezembro foram meses intensos para os bolsistas do PET Educação. Envolvidos em muitos projetos o ano inteiro, é nesses dois meses do ano que quase tudo acontece: a SIIEPE, as jornadas literárias nas escolas, a Feira do Livro e as avaliações das atividades. Acompanhe a seguir algumas destas ações e em 2020, venha conhecer o PET Educação. Nossa sala de trabalho e reuniões está localizada na Faculdade de Educação da UFPel.
Cristina Maria Rosa
Tutora PET Gestão 2019-2022


Processo seletivo de bolsista ao programa de educação tutorial: ocorrido no segundo semestre de 2019, o processo seletivo a vagas de bolsista ao Programa de Educação Tutorial é mais um dos processos de formação do estudante petiano. Na banca de seleção, a Tutora do grupo, Professora Drª. Cristina Maria Rosa e com convidada, a Professora Drª Heloisa Helena Duval de Azevedo (Tutora PET GAPE). Além das tutoras, integraram a banca os estudantes Alisson Castro Batista, Cinara Tonello Postringer e Leonardo Capra. Resultaram aprovados todos os candidatos inscritos que compareceram a todas as etapas do processo seletivo na seguinte ordem de classificação: 1º lugar: Paloma Wiegand; 2º lugar: Luzia Martins; 3º lugar: Letícia Vilela; 4º lugar: Maisa de Souza Ferreira; 5º lugar: Gabriele Igansi; 6º lugar: Lorraine Dustenhafet; 7º lugar: Arnaldo Duarte;
Café da tarde de boas vindas à Letícia Vilela, em dezembro de 2019.
Recepção aos novos bolsistas: uma das práticas do PET Educação é a recepção aos novos bolsistas. Consiste em café da tarde e a fala de cada um dos presentes, indicando suas expectativas a respeito do novo integrante do grupo. Ao fim, o novato também se manifesta indicando o que espera do trabalho no e em grupo. No segundo semestre do ano de 2019, a chegada de Paloma, Luzia e Letícia foram comemoradas nesse mesmo rito. A última a entrar, a estudante de Pedagogia Letícia Vilela, teve seu café da tarde de recepção ocorrido em 11/12, quarta feira e a alegria foi intensa;
Seminário preparatório à Semana Integrada de Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPel 2019: No PET Educação a tradição é preparar-se para as apresentações orais de eventos em grupo. Desse modo, em 2019, nas semanas que antecederam à SIIEPE (as três primeiras de outubro), o grupo reservou um auditório no CEHUS (Rua Alberto Rosa, 155) para preparar-se publicamente para as apresentações de pesquisas realizadas. O seminário preparatório foi aberto ao público e ocorreu nos dias 02, 04, 11 e 18 de outubro. Nele o grupo pode conhecer e avaliar como cada um dos bolsistas projetou divulgar sua pesquisa. A opinião dos demais e os critérios de avalição adotados para o julgamento de cada trabalho foram considerados para a apresentação final, que ocorreu na semana seguinte, entre 21 e 25 de outubro.
Participação no Espetáculo “O mate do João Cardoso”, em novembro de 2019. Ocorrido durante a Feira do Livro de Pelotas, o PET Educação integrou-se ao GELL – Grupo de Estudos em Leitura Literária para realizar a leitura literária pública do texto O marte do João Cardoso, de João Simões Lopes Neto. As datas do espetáculo foram 02, 09 e 16 de novembro, no Museu do Doce e dia 17 de novembro, na Biblioteca Pública Pelotense. Repleto de público, o espetáculo integrou o grupo que se comprometeu a, em 2020, repetir o feito, a partir de outro texto do mesmo autor
Alessandra Steilmann apresenta seu trabalho sobre literatura indígena.
PET Educação apresenta seus trabalhos à UNAPI: Convidados a mostrar os resultados das pesquisas desenvolvidas em 2019, estudantes pesquisadores do PET educação estiveram diante de uma das turmas da UNAPI – Universidade aberta a pessoas idosas da UFPel em novembro. Muito vem recebidos, com ouvidos atentos e olhos conectados, os estudantes 60+ ficaram por dentro do que ocorre em um evento científico importante para a instituição e conheceram os estudantes e os trabalhos que foram destaque na SIIEPE UFPel 2019;

Equipe de restauro na Biblioteca da Escola Margarida Gastal, no Capão do Leão.
Assessoria a Bibliotecas Escolares: Originado nas ações da Sala de Leitura Erico Verissimo e apoiado pelo PET Educação, a Assessoria a Bibliotecas Escolares é uma ação de extensão (Ação 563) registrada na plataforma PREC UFPel e aprovada pelo COCEPE UFPel sob o número 277.  Tem como foco conhecer, projetar, intervir e realizar, em bibliotecas escolares, ações de restauro dos ambientes internos para que a formação do leitor literário ocorra. Desenvolve-se a convite das escolas e busca, como objetivo primeiro, realizar espaços públicos institucionalizados por lei. Em agosto ocorreu a elaboração do projeto e contatos com Docentes na UFPel e as reuniões preparatórias (02 e 06/09) com a Direção da escola, representada pela Diretora Maria Tereza Brum Argoud. Em setembro de 2019 houve a montagem da equipe e criação de um grupo no Whats App, o “Biblioteca Margarida” (05/09). Além disso, o grupo foi à escola (13/09) para ouvir a Coordenadora da Biblioteca, professora Maria Cristina Prietto Garcia. Nesse mesmo dia, levantamento dos dados (medidas da sala, das aberturas, listagem de móveis, contagem de livros, diálogo sobre reciclagem). No primeiro dia de trabalho houve a análise do acervo e separação dos livros adequados e ultrapassados a serem doados para reciclagem (27/09).
Tutora do PET Educação, professora Cristina Rosa
entrega à Diretora da Escola, professora
Maria Tereza Brum Argoud,
material material doado à Biblioteca Margaria.
Logo depois, em busca de apoio, o grupo realizou uma campanha entre amigos para a doação de materiais de limpeza e manutenção do novo espaço a ser restaurado. A entrega dos mesmo à escola, em dezembro de 2019. As ações de limpeza e avaliação de paredes, assoalho e aberturas; limpeza do assoalho, que tem muitas camadas de cera; Produção de uma planta baixa, com a ambientação adequada; d) Pintura das paredes e criação de um painel em eu uma delas; Revisão da instalação elétrica, visando segurança e instalação de pontos de luz extras; Customização de móveis, limpeza, adequação e confecção das cortinas; Reorganização do espaço, com ambientes definidos e; Organização do acervo, priorizando a leitura literária; serão desenvolvidas em 2020.

A leitura e os estudantes de Pedagogia: uma pesquisa


“A Leitura de estudantes de Pedagogia em 2019: Primeiro e Segundo Semestre”, elaborado pelo estudante Valdoir Simões Campelo é mais um dos trabalhos apresentado no CI/UFPel 2019 que tu vais conhecer agora. A seguir, o resumo completo enviado ao evento que foi apresentado no dia 22 de outubro de 2019.  

1. INTRODUÇÃO

No trabalho apresento alguns resultados de uma investigação sobre o tema Leitura Literária entre estudantes que ingressaram na Licenciatura em Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas no ano de 2019. Como corpus considerei os estudantes que estão frequentando a Licenciatura atualmente, tendo ingressado parte em março (2019/1 – diurno) e os demais em agosto (2019/2 – noturno). Integrada à pesquisa “Perfil leitor do estudante de Pedagogia FaE/UFPel: 2017-2020”, selecionei um grupo de questões – seis – entre as 20 da pesquisa ampla. O intuito foi conhecer se os estudantes do 1° e 2º semestres da Licenciatura em Pedagogia declaram gostar de ler, o que costumam ler, se há preferência por algum tipo de texto ou portador de texto, qual o local e período do dia em que mais conseguem ler e qual seu livro predileto.
Pesquisadores como Lígia Cademartori (2014), Ana Maria Machado (2002), Graça Paulino (2014) e Regina Zilberman (2005), concordam que o texto literário deve ser ponto de partida para a alfabetização literária de qualquer pessoa. Já Tzvetan Todorov (2010) nos ensina que a principal função de um professor é iniciar as crianças e os jovens “nessa parte tão essencial de nossa existência que é o contato com a grande literatura” e que a escola deveria “ensinar os alunos a amar a literatura”. A leitura, para a Pedagogia, é essencial. Cabe a esse profissional, na escola, ser ponte entre os livros, seus autores e ilustradores e os estudantes, pois toda iniciativa realizada na base da escolarização reverbera em desenvolvimento cognitivo e imaginativo.

2. METODOLOGIA

De cunho qualitativo – por estar interessada em “compreender e explicar a dinâmica das relações sociais que, por sua vez, são depositárias de crenças, valores, atitudes e hábitos” e que tem como objeto de interesse a “vivência, a experiência, a cotidianidade e a compreensão das estruturas e instituições, de acordo com Minayo (2002, p. 24) –, a pesquisa “Perfil leitor do estudante de Pedagogia FaE/UFPel:2017-2020” vem sendo desenvolvida por diferentes estudantes bolsistas do PET Educação. Tem como foco conhecer e descrever hábitos literários, autores, gêneros e títulos preferidos e as influências do ensino superior nas escolhas do que e quando ler.
A metodologia de pesquisa é descrita por Minayo (2002, p. 16) como a confluência de “concepções teóricas de abordagem”, “conjunto de técnicas” que possibilitam a observação e análise da realidade e a influência do “potencial criativo do investigador”. Para a autora, a pesquisa qualitativa “responde a questões muito particulares” e se preocupa com “um nível de realidade que não pode ser quantificado” (MINAYO, 1994, p. 21). De acordo com essa abordagem, optei por dar visibilidade a algumas respostas propostas pelo questionário que, desde 2017, vem sendo respondido por turmas da Pedagogia. Nele há 20 questões e, neste recorte, escolhi considerar as respostas de ingressantes em 2019 (1º e 2º semestre letivos) às seis primeiras questões. O intuito foi conhecer se gostam de ler, o que costumam ler, se há preferência por algum tipo de texto ou portador de texto, qual o local e período do dia em que mais conseguem ler e qual seu livro predileto.

3.    RESULTADOS E DISCUSSÃO
Entendo por metodologia “o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade” (MINAYO, 2002, p. 16). Assim, entre os resultados, o meu amadurecimento como pesquisador. Penso que agora, após esse ensaio, estou mais preparado para o próximo. A partir das leituras das respostas colhidas nas duas turmas (50 estudantes na 2019/1 e 42 na 2019/2) pude perceber: a) No que se refere ao tempo disponível para leitura, 47,7% dos que estudam à tarde e 39,1% dos que estudam à noite indicaram ler à noite; b) O local que leem com mais frequência é a casa para 52% dos que estudam à tarde e 48,1% na outra; c) Os estudantes disseram que costumam ler livros físicos (16,4% da turma diurna) e livros (12,1%) ou Facebook (12,1%) os estudantes noturnos; d) Perguntados se gostam de ler, responderam que gostam muito (34% turma diurna) e 33,3%  da noturna; e) Ao revelar o gosto a respeito de portadores de texto atribuindo entre 1 para “menos gosto” até 10 para “mais gosto”, observei os seguintes resultados: Entre estudantes que estudam à tarde, em 1º lugar aparecem livros, em 2º o Celular, em 3º o Face book, em 4º Posts na internet, em 5º textos da faculdade, em 6º Revistas, em 7º Panfletos/encartes/catálogos, em 8º Jornais, em 9º Gibis e em 10º, Obituários. A turma de estudantes que frequentam a Pedagogia à noite indicou gostar mais de ler livros, depois mensagens e demais no Celular. Em 3º aparecem textos da faculdade, em Posts na internet, em 5º Facebook, em 6º Gibis, em 7º Panfletos/encartes/catálogos, em 8º Revistas, em 9º Jornais e em último, Obituário.
Outra revelação interessante foi a respeito dos livros prediletos. Apesar de 12 estudantes (24%) afirmarem não ter livros prediletos, dois responderem “Quero um predileto”, um dizer que não tem livros, um indicar um autor (Augusto Cury) em vez de um título, outro indicar um gênero literário – Romance Espírita – e um escolheu um texto científico – Vigiar e Punir, de Michel Foucault. Os prediletos da turma que estuda à tarde são: A Culpa é das Estrelas (cinco indicações), O Pequeno Príncipe (três), Cidades de papel (duas), Contos Brasileiros (duas) e Sapiens: uma breve história da humanidade (duas). Os demais títulos foram mencionados uma vez cada e são: 20 Dicas de ouro para educar alunos e filhos, A Cabana, A noite que não acabou, A seleção de Kiera Cass, A sútil arte de ligar o foda-se, A trilogia senhor dos anéis, Ana terra, Bíblia, Carandiru, Como eu era antes de você, Desventuras em série, Do coração de Telmah, Do seu lado, Dom Casmurro, Fazendo meu filme, Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, Minhas férias, pula uma linha parágrafo, O homem mais inteligente da história, O príncipe encantado, O segredo, O símbolo perdido, Onde deixarei meu coração, Percy Jackson, o ladrão de raios, Saga Crepúsculo, Sussurro, Um Certo Capitão Rodrigo, Um Gato De Rua Chamado Bob.
A turma que estuda à noite escolheu os seguintes títulos, indicados apenas uma vez cada: 50 tons de cinza, A menina que roubava livros, A seleção, A última música, Co-dependência, Crônicas de Nárnia, Depois daquela viagem, Garota do calendário, Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban, Mais lindo que a lua, Misto quente, O monge e o executivo, O mundo de Sofia, Ninguém desvia o destino, O doador de memórias, O pequeno príncipe, Por lugares incríveis, Quem é você Alaska Quero um predileto, Uma curva na estrada. Além destes, seis pessoas mencionaram gêneros literários em vez de um título – Contos, Contos de Fadas, Literatura Africana, Literatura Infantil, Romance e Suspense. Uma citou um romance histórico – As veias abertas da América Latina – e três mencionaram autores em vez de títulos – Bukowski, Kiera Cass e Umberto Eco. Uma pessoa mencionou o livro Alfabetização: a questão dos métodos, de Magda Soares e onze estudantes declararam não ter livros literários prediletos.

3.    CONCLUSÕES
Observando as respostas obtidas na leitura dos questionários respondidos pelas duas turmas de estudantes de Pedagogia, algumas conclusões são possíveis. Estando no segundo semestre da Licenciatura, é incrível que 12 estudantes tenham declarado não ter livros prediletos. Se adicionados aos dois que responderem “Quero um predileto” e ao que afirmou não ter livros, o grupo sem predileção chega a 30% da turma. No entanto, a mais intrigante conclusão aparece quando observo as respostas da turma que estuda à noite, na qual 22 estudantes (52,38% do total da turma não indicou livros literários). Os estudantes de Pedagogia não leem?


5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


CADEMARTORI, Lígia. Literatura Infantil. Glossário CEALE, 2014. Disponível em: <http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/literatura-infantil>. Acesso em 02/09/2019.

MACHADO, Ana Maria. Como e por que ler os clássicos universais desde cedo.  Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18 ed. Petrópolis: Vozes, 2001. Disponível em: <http://www.faed.udesc.br/arquivos/id_submenu/1428/minayo__2001.pdf. >. Acesso em 03/09/2019

PAULINO, Graça. Leitura Literária. Glossário CEALE, 2014. Disponível em: <http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/leitura-literaria>. Acesso em 02/09/2019.

QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Manifesto por um Brasil literário. Disponível em: <http://www.brasilliterario.org.br/manifesto.php>.  Acesso em 02/09/2019

TZVETAN, Todorov. A literatura em perigo. Rio de Janeiro: Difel, 2009.

ZILBERMAN, Regina. A Literatura Infantil na Escola. São Paulo, Global, 2003.

Literatura Infantil, Interdisciplinaridade e a Revolução Científica


A Literatura infantil enquanto ferramenta interdisciplinar de ensino no contexto da revolução científica: mais um dos trabalhos do PET Educação.


Cristina Maria Rosa
Tutora


          Entre os dias 21 e 25 de outubro de 2019 ocorreu, na Universidade Federal de Pelotas, mais um grande evento científico: a SIIEPE/UFPel. O PET Educação se fez representar com dez trabalhos científicos elaborados, desenvolvidos e apresentados por doze bolsistas. Um deles tu vais conhecer a seguir. Se trata do resumo completo de "A Literatura infantil enquanto ferramenta interdisciplinar de ensino no contexto da revolução científica", elaborado por Alisson Castro Batista sob orientação da Drª Cristina Maria Rosa pode se conhecido a seguir:


1. INTRODUÇÃO

No trabalho revelo resultados recentes da pesquisa exploratória com a qual objetivo analisar e descrever o caráter Interdisciplinar da Literatura Infantil no contexto da Revolução Científica. A partir dos dados bibliográficos levantados e da observação de experiências de estágio docente de dois Pedagogos recém-formados na FaE/UFPel, intenciono compor um rol de textos literários que representem e/ou oportunizem a interdisciplinaridade através da leitura literária com crianças na escola.
De acordo com HARARI (2018), até meados do século XVII, no geral, as pessoas trabalhavam apenas para preservar os conhecimentos já adquiridos, a fim de manter a ordem social estabelecida. As religiões eram, até então, tidas como a principal fonte de conhecimentos, sendo uma estrutura verticalmente hierarquizada, tendo em seu topo os detentores dos conhecimentos mais avançados. A idéia de que existiria uma sabedoria universal, proveniente de deuses ou sábios do passado, era partilhada por praticamente todos os humanos. O que parece ter mudado nos últimos séculos é a perspectiva sobre as possibilidades de se conhecer a realidade através de nossas próprias capacidades humanas, ainda que se acredite que estas sejam provenientes de alguma inteligência superior. Nas palavras do autor:

“A ciência moderna não tem dogma. Mas tem um conjunto de métodos de pesquisa em comum, todos baseados em coletar observações empíricas (...)“ (HARARI, 2018).

Através dos métodos científicos modernos e das tecnologias provenientes destes, fomos capazes de transformar nossas culturas humanas em diversos aspectos. Epistemologicamente, estas mudanças, no geral, se dão através da divisão das áreas do conhecimento, promovendo a lógica da fragmentação das análises. Chamamos estas divisões de disciplinas. De acordo com BICALHO (2011), a interação entre as disciplinas pode ser dividida em níveis crescentes com relação à intensidade de interatividade. Comecemos pelo Multidisciplinar, que sendo o primeiro nível de interação consiste em ações e estudos isolados em torno de uma temática em comum, norteados ao mesmo objetivo, porém sem interações diretas entre as disciplinas. A seguir vem o nível Interdisciplinar, que é caracterizado pela existência de um axioma superior hierarquicamente, que orienta as disciplinas ao seu objetivo, de forma que estas interajam entre si e se apoiem na construção dos conhecimentos. Ainda temos a Transdisciplinaridade, que seria um nível de interação além da Interdisciplinaridade, em um universo mais amplo, de observação holística dos fenômenos. De acordo com FAZENDA (2012), diversas são as possibilidades de elementos coordenadores Interdisciplinares. Recentemente, a Robótica e a Astronomia, por exemplo, são áreas que têm sido bastante exploradas neste sentido. A Música, o Teatro e a Jardinagem são exemplos mais clássicos, que estão mais presentes em algumas de nossas escolas há mais tempo, quando comparadas com as anteriores. Dentre tantas possibilidades, escolhi, para essa investigação, o campo da Literatura Infantil como “elemento coordenador interdisciplinar”.
Segundo Zilberman (2015), “Os primeiros livros para crianças foram produzidos ao final do século XVII e durante o século XVIII. Antes disso, não se escrevia para elas, porque não existia a ‘infância”. Neste período as crianças eram vistas na sociedade como adultos em miniatura, não tendo suas necessidades de desenvolvimento atendidas (ou sequer compreendidas). A ignorância acerca da infância só passou a ser superada na transição para a Idade Moderna. Ainda segundo Zilberman, essa mudança de paradigma aconteceu devido à constituição do modelo familiar burguês e levou a maior união interna nas famílias, mas também proporcionou “meios de controle do desenvolvimento intelectual da criança e manipulação de suas emoções” (ZILBERMAN, 2015). Zilberman (2015) afirma ainda que a Literatura Infantil e a Escola foram “convocadas para cumprir essa missão”. E devido a isso, evidencia a falta de reconhecimento do caráter artístico de parte da literatura infantil, pois por ter sido escrita, em sua grande maioria, por professores e pedagogos, apresenta muitas vezes em sua intencionalidade, a didática como prioridade. Neste sentido, a escola torna possíveis ou mais intensas, as conexões entre o público infantil e este tipo literatura. Como afirma Zilberman (2015) a escola e a literatura compartilham “um aspecto em comum: a natureza formativa”. E que “De fato, tanto a obra de ficção como a instituição de ensino estão voltadas a formação do indivíduo ao qual se dirigem.” Porém, ainda que compartilhem deste aspecto em comum, não se limitam a isso. É justamente este o ponto de diferenciação nas abordagens da escola como um todo e da literatura infantil no processo de sintetização da realidade: o isolamento disciplinar, no caso da escola, e a interação contextual interdisciplinar que a literatura proporciona. Esta diferenciação fica evidente quando “a literatura infantil atinge o estatuto de arte literária e se distancia de sua origem comprometida com a pedagogia, quando apresenta texto de valor artístico a seus pequenos leitores, de acordo com ZILBERMAN (2015). A pesquisadora afirma que a grande carência das crianças seria “o conhecimento de si mesma e do ambiente no qual vive” e que neste contexto, a ficção lhe permite “uma visão de mundo que ocupa as lacunas resultantes de sua restrita experiência existencial, por meio de sua linguagem simbólica.”

2. METODOLOGIA

De cunho qualitativo, inicialmente realizei uma pesquisa bibliográfica sobre os conceitos envolvidos: ciência, revolução científica, interdisciplinaridade, literatura, infância e leitura na escola. Entre os livros selecionados, Sapiens, uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari, devido a sua contemporaneidade e clareza ao descrever as principais revoluções da história da humanidade, dentre elas a científica, que fundamenta contextualmente este trabalho. Sobre o tema Interdisciplinaridade escolhi duas autoras: Ivani Fazenda (Interdisciplinaridade: História, teoria e pesquisa) e Lucinéia Maria Bicalho (Aspectos conceituais da Multidisciplinaridade e da Interdisciplinaridade e a pesquisa em Ciência da Informação). Para fundamentar o tema da Literatura Infantil escolhi ler A literatura infantil na escola, da autora Regina Zilberman.
Além da revisão teórica, como procedimentos metodológicos de pesquisa adotei: a) Entrevistas com dois pedagogos recém formados sobre o uso da literatura infantil como ferramenta Interdisciplinar de ensino,  que foram gravadas, transcritas e analisadas pelo próprio pesquisador, tendo, no momento da análise, sido organizadas, a partir das experiências práticas dos entrevistados, em categorias conceituais tais como: a interdisciplinaridade na realidade escolar atual, a literatura infantil na escola e nos ambientes fora dela, os potenciais proveitos interdisciplinares da literatura na escola, as práticas da leitura literária na sala de aula, o uso de ilustrações nos livros de literatura infantil e suas  possíveis implicações para a experiência do leitores, o potencial pedagógico das múltiplas interpretações variadas das narrativas lidas e os resultados de aprendizado dos conceitos esperados constatado nos alunos, a partir de práticas constantes de leitura literária na sala de aula; b) Análise do acervo da Sala de Leitura Erico Verissimo – estrutura acadêmica integrada à formação de professores leitores na FaE/UFPel – em busca de títulos, gêneros e autores concernentes ao tema; c) Composição de um acervo com obras que se coadunam com a possibilidade interdisciplinar a serem lidas a um grupo de crianças que frequentam o 3º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública municipal em Pelotas, RS.


3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No atual contexto escolar altamente disciplinarizado, a Literatura Infantil pode ser utilizada como ferramenta de coordenação entre os conteúdos das disciplinas, devido a diversos potenciais benefícios cognitivos para os leitores, como, por exemplo, o desenvolvimento das capacidades de concentração, da criação de imagens mentais complexas e da reversibilidade do pensamento. Estas capacidades cognitivas têm sido constantemente desestimuladas no contexto da Revolução Científica em que vivemos, devido à prontidão das informações e dos elementos sensoriais disponíveis nos filmes, séries, jogos eletrônicos, dentre outras manifestações artísticas tecnológicas.
Pedagogicamente, as variadas, surpreendentes e múltiplas interpretações de narrativas são aspectos altamente exploráveis, pois podem proporcionar longas e produtivas discussões e reflexões. Trata-se de um fenômeno democrático que, inclusive, caracteriza o aspecto artístico da Literatura Infantil. Como aponta ZILBERMAN (2015): “Ela sintetiza, por meio dos recursos da ficção, uma realidade, que tem amplos pontos de contato com o que o leitor vive cotidianamente”.
            Além destas constatações, no trabalho apresento uma seleção de obras literárias que possuem potenciais interdisciplinares. É um pequeno acervo a ser lido para crianças que frequentam o 3º ano do Ensino Fundamental (entre oito e dez anos de idade) e que são: 1. O pote vazio, de Demi, traduzido por Monica Stahel; 2. A lagartixa que virou jacaré, de Izomar Camargo Guilherme; 3. O frio pode ser quente? de Jandira Masur; 4. O verde brilha no poço, de Marina Colasanti; 5. Revolução no formigueiro, de Nye Ribeiro; 6.  O lobo e o carneiro no sonho da menina, de Marina Colasanti; 7. Quem sou eu? de Gianni Rodari; 8. Pinote, o fracote e Janjão, o fortão, de Fernanda Lopes de Almeida e Alcy Linares; 9. O contrário, de Tom MacRae e Elena Odriozola; 10. Osso do ofício, de Gilles Eduar.

4. CONCLUSÕES

A Literatura Infantil revela-se uma poderosa ferramenta Interdisciplinar, pois se constitui de diversos conhecimentos disciplinares de base, que são solicitados e desenvolvidos ao utilizá-la, orientando-os em uma direção comum, construída a partir das reações e interpretações dos alunos, do contexto em que será apresentada a obra literária aos leitores, como também pelo conteúdo literário dos livros. Estas práticas devem fugir da roteirização da interpretação das obras literárias, buscando a construção de ambientes que estimulem a autonomia e a criatividade através da imaginação e da liberdade interpretativa dos leitores.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HARARI, Y N. Sapiens, Uma breve história da humanidade. Local de Edição: Editora, 2018

FAZENDA, I C. Interdisciplinaridade: História, teoria e pesquisa. Papirus Editora, 2017.

ZILBERMAN, R. A Literatura infantil na escola. Global Editora e Distribuidora Ltda,  2015.

BICALHO; OLIVEIRA, L M; M. Aspectos conceituais da Multidisciplinaridade e da Interdisciplinaridade e a pesquisa em Ciência da Informação. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 16, n. 32, p. 1-26, 2011.