Eu li nas férias: quer ouvir?


Livros das Férias: Seminário on-line
Alessandra Steilmann

No último semestre do ano de 2019, o grupo PET Educação se comprometeu a organizar um seminário para o Curso de Pedagogia da FaE-UFPEL nos primeiros meses do ano de 2020.
O intuito era compartilhar, de forma oral e com detalhes, estudos realizados em tempos de recesso da Universidade e Férias. Outro dos objetivos era organizar um seminário sem a coordenação da tutora do grupo e, ainda, recepcionar os novos acadêmicos.
Diante da demanda e do acordo, todos os integrantes do grupo, então, escolheram, leram e prepararam uma apresentação sobre um livro ou artigo científico considerado importante para as suas pesquisas individuais ou para a formação docente.
COVID 19 e a suspensão do calendário da UFPel
Com a suspensão das atividades acadêmicas, nosso seminário será on-line e, primeiramente, interno, ou seja, apenas voltado aos bolsistas PET. Estamos estudando a forma mais inclusiva de desenvolver e divulgar nossos trabalhos e, logo que decidirmos, intencionamos ampliar o seminário para os estudantes da Licenciatura.

Grupo de Literatura para 60 mais...

Grupo de Literatura para 60 mais...
Cristina Maria Rosa

Ação desenvolvida pelo PET Educação considerada de extrema valia para os estudantes da Pedagogia que integram o grupo e, neste momento, em especial é a formação docente para públicos diferenciados como idosos e, também, mães e demais familiares de crianças em idade escolar.
O aprendizado, neste momento, investe-se de relevância por demandar o conhecimento e uso, intenso e qualificado de meios (ferramentas e modos) de intervir na realidade de quem está em casa, isolado ou em grupo. De forma on-line, a intervenção prescinde de receptividade, aceitação e a capacidade de conexão de cada um dos agentes envolvidos.
Um dos programas criado em tempos de afastamento social por efeitos da COVID-19 foi a criação de um Grupo de Literatura para todos os idosos que já frequentaram uma ou mais salas de aula de Literatura na UNAPI, a Universidade Aberta a Pessoas Idosas da UFPel.
Tendo iniciado o trabalho com esse grupo em março de 2018, hoje já contabilizo quatros semestres desenvolvidos com um público fiel e leitor. Assim, não foi difícil reuni-los e agregá-los em torno da ideia de enviar dicas literárias durante o tempo que aguardaremos a reabertura da sala de aula, quando nos encontraremos, de novo, para ler juntos. E dialogar, rir, provocar uns aos outros com nossas controvérsias.
Descobrimos, juntos, que amamos Literatura. Especialmente, contos brasileiros, gênero predileto da turma e que tem muitos escritores como excelentes representantes.

Contos Brasileiros
Escrever ou ler um conto é, com certeza, um prazer que muitos brasileiros já conhecem.Temos, na história de nossa Literatura, a presença de muitos e bons contos, elaborados por excelentes escritores, de norte a sul do país. Temos, também, diversas tentativas de reunir os melhores em mais e mais antologias. Os autores dos "melhores" são, logo depois, procurados por ávidos leitores em busca de mais do mesmo: uma narrativa enxuta, com um início instigante, um ápice de tirar o fôlego e um desfecho sempre surpreendente. Essa uma fórmula imbatível. E não importa muito quantas palavras o autor utiliza para nos capturar para sempre. Em poucos parágrafos ou em algumas páginas, o segredo é enlaçar o desavisado ou experiente leitor para mais e mais...
Uma pesquisa recente
Em 2019, mais uma tentativa de definir quem são os melhores contistas da história da literatura brasileira ocorreu. E foi entre os leitores da Revista Bula que, entre os meses de março e outubro de 2019, responderam a uma enquete. Os resultados, que deveriam priorizar autores nascidos no Brasil ou naturalizados, teve como apoio o livro “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, organizado por Ítalo Moriconi e publicado em 2000.
Quatro mil e trezentos colaboradores, assinantes ou seguidores da página da Revista Bula no Facebook participaram. Eles escolheram escritores das regiões Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste.
Quem foi indicado? Lygia Fagundes Telles, conhecida como a “dama da literatura brasileira”, é considerada a maior escritora nacional viva. Nascida em 1923, em São Paulo, ela iniciou sua carreira aos 15 anos. Entre seus 20 livros de contos, os mais conhecidos são “Antes do Baile Verde” (1970), “A Estrutura da Bolha de Sabão” (1991) e “Invenção e Memória” (2000). Lygia ganhou várias honrarias importantes, como o Prêmio Camões e o Jabuti. Mas houve outros: Amilcar Barbosa, Antônio Carlos Viana, Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Guimarães Rosa, José J. Veiga, Lima Barreto, Machado de Assis, Moacyr Scliar, Monteiro Lobato, Murilo Rubião, Orígenes Lessa e Rubem Braga.
Manutenção do exercício intelectual
Manter, desde o início da pandemia, o contato e algum exercício intelectual vinculado à temática, áudios de primeiras páginas, sugestões de leitura, matérias sobre literatura e outras, concernentes ao tema, têm sido ofertadas ao menos duas vezes por semana para o gruipo de literatura da UNAPI. Eventualmente, alguma tarefa tem sido sugerida aos idosos que, muito entusiasmadamente, compartilham suas emoções e produções.
Como agregado a esse trabalho e por observar como o grupo está suportando a ausência da presença, que inventamos o grupo “Diário do cuidado: diálogos aos 60+”, organizado para intervir na prevenção de casos de depressão por solidão ou falta de atenção.

Pesquisa individuais no PET Educação


Da literatura indígena a autores brasileiros: as pesquisas individuais no PET Educação.
Cristina Maria Rosa

Com o intuito de manter a vínculo com os estudos acadêmicos durante o tempo em que não há aulas presenciais na Faculdade de Educação da UFPel, os doze bolsistas PET estão empenhados em dar continuidade a suas investigações científicas.
Algumas já foram apresentadas na última SIIEPE – a semana integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPel, realizada em 2019 e, por iniciais, mereceram continuidade. Outras, de longo prazo, estão merecendo estudos de dados para considerar aspectos que ainda não haviam sido explorados.
Como exemplo, temos a pesquisa intitulada Um olhar sobre a literatura indígena, desenvolvida, desde 2019, pela estudante Alessandra Steilmann, formanda na Licenciatura em Pedagogia.
Para a estudante, o “acesso à Literatura é de imensurável valor na sociedade letrada contemporânea” e dedicar-se a estudar a “literatura que representa cerca de 896,9 mil brasileiros” é “plenamente justificável”. Há leis (10.639/03 e 11.645/08) que tornam obrigatório os temas Indígenas e Africanos nas escolas, tornando ainda mais importante sua consideração por cada um dos estudantes de Pedagogia que, em breve, estarão nas escolas públicas e privadas do país, exercendo suas atividades vinculadas ao respeito aos direitos humanos.
A pesquisa
O principal objetivo do projeto, de acordo com a estudantes, é inventariar os “livros de Literatura Indígena Brasileira em acervos escolares”. Alessandra acredita que a partir disto, pode-se ampliar o acervo e o repertório do grupo de bolsistas do PET Educação. Como metodologia, escolheu, inicialmente, analisar a lista de livros que compõe a “Maleta LIA”, fruto de um projeto desenvolvido na capital do Rio de Janeiro desde 2008.
O que é Literatura Indígena?
Em seus estudos, Alessandra afirma que, a Literatura Indígena difere-se da “indianista” e “Indigenista”. A literatura indianista “refere-se mais especificamente à literatura do período romântico brasileiro, voltado para a construção de uma identidade nacional”, de acordo com Thiél (2013). A indigenista, é aquela produzida por não-índios “e tratam de temas ou reproduzem narrativas indígenas”. Já a Literatura Indígena é produzida pelos próprios indígenas, “segundo as modalidades discursivas que lhes são peculiares”. Assim, obras indígenas que são escritas para o público infanto-juvenil e para o público maduro, “apresentam uma interação de multimodalidades: a leitura da palavra impressa interage com a leitura das ilustrações, com a percepção de desenhos geométricos, de elementos rítmicos e performáticos” (THIÉL, 2013).
Por que pesquisar?
Além de se justificar como um processo de qualificação pessoal, enquanto mediadora e futura alfabetizadora literária, a pesquisa, de acordo com Steilmann, visa orientar a escolha de livros (o que, quando e como ler) e potencializar escolhas profissionais. O foco não é segregar nenhuma cultura, mas, sim, capacitar-se para um “diálogo ecológico com uma lógica intercultural” (Candau, 2004).
Para a estudante, a “Literatura Indígena permite que a voz dos muitos povos indígenas que estão presentes no Brasil, não só em aldeias locais, mas também no contexto urbano, seja ouvida sem que haja um narrador intermediário”. Caracteriza-se, também, como um instrumento de resistência e autoafirmação, sendo uma alternativa para a luta contra o epistemicídio e a falta de legitimidade dos conhecimentos oriundos das tradições dos povos indígena.
Pesquisando em acervos...
A pesquisa em acervos integra-se à abordagem qualitativa, embora conhecer a quantidade de obras em um acervo seja considerado um procedimento quantitativo. Assim, a investigação pode ser considerada uma mescla entre as duas abordagens. A metodologia de pesquisa é descrita por Minayo (2002, p. 16) como a confluência de “concepções teóricas de abordagem”, “conjunto de técnicas” que possibilitam a observação e análise da realidade e a influência do “potencial criativo do investigador”.
Quando teremos conclusões?
Estudo resultante de inquietações e descobertas que aconteceram no decorrer de vida acadêmica de Alessandra Steilmann, ela afirma que em algumas poucas disciplinas foi instigada a questionar profundamente e (des)construir convicções e conceitos, bem como revisitar a cultura na qual cresceu. Com o apoio do PET Educação, pode “expressar, refletir e extrair o melhor das angústias e conflitos internos que ocorreram ao longo desta caminhada”.
Um dos resultados que a estudante afirma ter conquistado nesse pequeno tempo em que se dedica o tema é perceber que “apesar da invisibilidade em parte considerável da educação básica e do ensino superior, a produção de livros indígenas já vem ocorrendo há tempos”. Assim, considera “ser possível definir um corpus de livros a serem lidos e indicados a integrar as bibliotecas escolares”, pois acredita que “a Literatura Indígena não deve ser restrita a escolas indígenas ou àquelas nas quais indígenas estudam, uma vez que não são dirigidas ao público indígena apenas”.


Diário do Cuidado: mais um ação do PET Educação


Diário do cuidado: diálogos aos 60+
Cristina Maria Rosa

Quem somos?
O grupo PET Educação se caracteriza por ser um grupo disciplinar. É constituído por 12 estudantes da Licenciatura em Pedagogia na Faculdade de Educação da UFPel tutoriados por uma Pedagoga, a Drª. Cristina Maria Rosa. Reconhecido, na Universidade e fora dela, por trabalhar com a Leitura Literária – um tipo de leitura que difere das demais por priorizar o prazer em conhecer textos, gêneros e autores, prioritariamente os brasileiros – o grupo mantém interações sobre o trema com vários grupos: estudantes, crianças, professoras, bibliotecárias e familiares de estudantes.
O grupo PET tem como princípio o estudo e a pesquisa que desemboca em intervenções em escolas públicas e privadas. Além disso, palestras, cursos de formação de curto, médio e longo prazo para professores e também para as bibliotecárias são práticas recorrentes. A atuação como personagens literários, eventualmente, em Feiras do Livro e eventos, mas, também em escolas, é outra das marcas do PET Educação.
Em 2020, diante da grave situação em que nos encontramos como Universidade e Sociedade, foi necessário reinventar nossas ações, estudos e pesquisas buscando, ao máximo, a interação com a comunidade que sempre nos foi tão próxima. A seguir, o projeto mais intenso entre tantos que estamos correndo o risco de desenvolver desde o dia 16 de março, quando a UFPel suspendeu as atividades usuais e entrou em outro modo de gestão dos tempos e espaços.
Diário do Cuidado: o que é isso?
O grupo “Diário do cuidado: diálogos aos 60+”, foi organizado para intervir na prevenção de casos de depressão por solidão ou falta de atenção. Instigado a propor algo no campo do cuidado mental, o PET Educação reconheceu que não tem formação específica para tal. Sensível à demanda de um dos idosos que frequenta o grupo, reunimos, por mensagem no WhatsApp, uma rodada de inscrições a quem se sentia apto a dar apoio e a quem desejava participar. Foi assim que surgiu o programa “Diário do Cuidado: diálogos aos 60+”.
O foco da atuação do grupo é conversar: sobre o isolamento, as perspectivas, as relações que eles conseguem ter. Depois, estabelecer rotina de contato e, nela, se prontificar a escrever a biografia do interlocutor. Ao enviar, sempre, o retorno do escrito ao idoso, comprometê-lo com sua própria história, memória e permanência no grupo.
O grupo também investe no envio, todos os dias, de um lembrete, uma frase de incentivo, uma imagem de paisagens vistas da janela ou de um animal de estimação e mesmo uma foto antiga em que estão com o idoso. Cabe, também, fazer planos para o futuro.
Como funciona?
Atualmente em contato com sete idosos, oito integrantes do grupo PET (estudantes e a Tutora) se revezam em conversar, escrever memórias, indicar leituras, serviços públicos e possibilidades para os que solicitaram apoio e estão confinados, sozinhos ou em pequenos grupos familiares.
As atividades tiveram início em 04 de maio e, hoje, contam com o apoio da Drª. Zayanna Lindôso, docente no Curso de Terapia Ocupacional da UFPel que, com expertise no tema, orienta o grupo e encaminha para atendimento especializado casos considerados mais delicados ou que demandem atendimento especial. Na TO, há um programa denominado PRO-GERONTO, dedicado a casos que exigem maior atenção.
O Programa de Terapia Ocupacional em Gerontologia (PRO-GERONTO) é um projeto de extensão destinado a atender idosos da comunidade. Oferece ações de prevenção do declínio cognitivo, promoção do envelhecimento ativo e apoio a pessoas que atuam junto a essa população. Além disso, oferta atendimentos específicos a idosos com depressão, Alzheimer e demais quadros patológicos que podem acometer o idoso.

Para fazer parte do programa “Diário do cuidado: diálogos aos 60+”, basta entrar em contato com a tutora do grupo PET Educação e solicitar apoio.