20 de maio: Dia da Pedagogia


Pedagogia: um dia para comemorar?

Luzia Helena Brandt Martins
Paloma Wiegand
Valdoir Simões Campelo

Introdução
A importância da profissão “Pedagogo” e seu reconhecimento como profissão basilar na escola integra parte das datas comemorativas no país. Exercida majoritariamente por mulheres, a Licenciatura em Pedagogia é amplamente ofertada pelo sistema de ensino público e privado no Brasil e, ainda, porta de entrada de mulheres no mercado de trabalho formal. Definido por legislação vigente – Lei 13,083 de 8 de janeiro de 2015 – a instituição do “Dia Nacional do Pedagogo” pode e deve ser comemorado.
 Pedagogia: uma ciência?
A Pedagogia foi criada na década de 30 no século XX, quando intensas discussões sobre a educação no Brasil tiveram curso. Neste mesmo tempo, duas universidades lançaram suas proposições: em 1934, a Fundação da Universidade de São Paulo e, em 1935, a Universidade do Distrito Federal, em 1935. A partir dessas duas primeiras licenciaturas, outros cursos foram propostos em todo o Brasil e, com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1971 (LDB 5692/71), o Pedagogo foi autorizado a atuar desde a Educação Infantil até à 5ª série dos anos iniciais. De acordo com a lei, poderia lecionar diversas disciplinas. Atualmente – os anos 20 do Século XXI, o Curso de Pedagogia se faz tão essencial por diversos motivos. Um deles é a área de atuação que atinge grande espectro, pois esses profissionais podem desenvolver seus saberes e técnicas em escolas, hospitais, universidades, asilos, penitenciárias e empresas, entre outros.
Mas, o que é a Pedagogia?
Mais que uma “ciência aplicada” a essência da Pedagogia, uma licenciatura que varia da dois a cinco anos para completar sua formação acadêmica, está assentada na relação entre humanos e conhecimento, entre tradição e pesquisa científica, entre saberes e sabores que se iniciam bem cedo, quando adentramos o sistema escolar.
No livro Pedagogia como ciência da educação[1], Maria Amélia Santoro Franco inventaria os sentidos que a Pedagogia foi adquirindo no transcurso de sua instituição como profissão e indica três concepções que emergem no intuito de definir sua epistemologia: a Pedagogia filosófica, a Pedagogia técnico-científica e a Pedagogia crítico-emancipatória. É na configuração da Pedagogia como ciência da educação que a autora a defende como um instrumento político e de emancipação, uma vez que evidencia relações existentes entre a práxis educativa e a práxis pedagógica e defende que deve ter por finalidade "o esclarecimento reflexivo e transformador da práxis educativa, discutindo as mediações possíveis entre teoria e práxis". Como "explícita mediadora da práxis educacional", a Pedagogia, para a autora, deve conduzir o sujeito à humanização, à emancipação, a apreender e reconstruir a cultura, condição de cidadania. Para a autora, ainda, a Pedagogia precisa passar da racionalidade técnica à racionalidade prática, reflexiva, formativa e emancipatória.
E a formação do profissional da Pedagogia? Para a autora, este deve “enfatizar o aspecto crítico-reflexivo, que compreenda a complexa pluralidade do âmbito educacional, a necessidade de mediar um processo de aprendizagem voltado para a formação integral de um sujeito de pensamento fragmentado, acrítico, alienado das questões políticas e socioculturais”. Seria, assim, o pedagogo, um “investigador educacional por excelência”, com características de profissional crítico e reflexivo, uma vez que a Pedagogia é uma ciência que visa o estudo e a compreensão da práxis educativa em suas intencionalidades. De acordo com Libâneo (2017[2]), o livro de Franco “contribui para esclarecer aspectos do debate que se tem travado na área educacional a respeito da formação de educadores, reafirmando a tradição teórica em que a Pedagogia, como ciência da educação, formula a partir da práxis educativa os elementos científicos e técnicos da formação humana, constituindo referência para todas as práticas educativas, entre elas o trabalho docente. Ou seja, a docência fundamenta-se na Pedagogia e não o inverso”.
Onde atua o Pedagogo?
Profissão que está para além dos muros da escola, ela está na sensibilidade do profissional que atua nessa área. Hoje, na escola, a Pedagogia vai desde a área administrativa até a sala de aula estando presente na direção escolar, salas de AEE, Orientação educacional e Coordenação Pedagógica. Em salas de aula está presente na Educação Infantil, 1º ao 5º dos anos iniciais e 1ª à 4ª etapa na Educação de Jovens e Adultos.
Em empresas, hospitais, asilos, abrigos, creches e no sistema penitenciário, o Pedagogo tem tarefas vinculadas a gestão de grupos e cuidados, junto com a Psicologia e a Terapia Ocupacional. Além disso, o profissional tem sido contatado como pesquisador por muitas empresas que precisam compreender como suas equipes podem e devem trabalhar em grupos colaborativos. 
A pesquisa e sua metodologia
Para marcar o “Dia do Pedagogo”, nós, do PET Educação procuramos conhecer, entre Pedagogos e estudantes, quais suas perspectivas em relação à educação em tempos de Covid-19.
Escolhemos como mecanismo de coleta de informações uma plataforma digital. O canal utilizado foi o Google formulário; nele, algumas perguntas sobre a profissão. O foco é apresentar reflexões que foram inseridas nas respostas de profissionais atuantes e futuros profissionais que cursam a Licenciatura em Pedagogia na Universidade Federal de Pelotas.
Questões:
1.       Há quantos anos estás atuando como Pedagogo (a)?
2.       Durante tua carreira, como percebeste as mudanças sociais?
3.       Como acreditas que será o retorno pós pandemia?
Além dos profissionais que atuam na profissão, enviamos uma pergunta aos estudantes e futuros profissionais que cursam Pedagogia na Universidade Federal de Pelotas. Ela foi: Para ti, o que é um(a) Pedagogo(a)?
Logo depois das respostas recebidas (a data limite para envio das mensagens foi 17/05), todas foram inseridas em uma plataforma para que pudessem ser bem observadas e analisadas. Neste momento, o grupo responsável pelo trabalho – Luzia, Paloma e Valdoir –, por mensagens e telefonemas, combinou o que e como revelar as descobertas.
Resultados
O pensam os Pedagogos sobre a educação em tempos de pandemia? Entre as respostas descobrimos que 42.9% dos que se manifestaram trabalham menos de 10 anos na profissão. Os demais, 35.5% entre 10 e 20 anos e 21.6% já estão em fins de carreira, pois já trabalham entre 20 e 30 anos como Pedagogos.
Quando se referem a “mudanças sociais” observadas no tempo em que desempenham as atividades profissionais, muitos disseram que estas interferem diretamente na educação. Outros apontaram avanço e acesso à tecnologia como maior mudança social ocorrida e houve ainda quem ressaltou a desvalorização dos professores e pedagogos e a falta de interesse dos alunos e pais pela educação como o fato social e politica mais relevante observado. Como exemplo, a consideração a seguir:

Foram muitas as mudanças e todas através de muita luta. Percebo, porém, que demos um passo à frente e três, para trás, principalmente na educação. Tivemos grandes avanços na inclusão e, no momento, temos que ficar atentos para não perder aquilo que conquistamos.

Sobre o retorno pós-pandemia, o termo “desafio” foi bastante usado, assim como “adaptações” e “processos lentos”. Muitos profissionais manifestaram preocupação com a comunidade escolar, em especial aos cuidados e prevenções durante o retorno, como na resposta enviada:

Acredito que muitos cuidados serão necessários. Um trabalho deverá ser feito para que os alunos consigam seguir as orientações corretas de higiene e preservação da sua saúde. Os professores serão os principais agentes nesse trabalho de orientação na sala de aula e a família se faz muito necessária para reforçar as atitudes de cuidado de seus filhos. Nada será como antes, isso temos certeza! Como será? Ninguém sabe ao certo. A nossa única certeza é que no momento preservar vidas é o mais importante, o resto, corremos atrás.

Outro ainda ressaltou que se o acompanhamento familiar foi realizado durante a pandemia, o retorno do profissional será “tranqüilo”. Assim, nota-se que os profissionais pesquisados percebem a proporção do vírus e se preocupam com o que ainda será feito em relação à educação e contam com o apoio das famílias, para tal.

Concluindo
Ao refletir sobre a profissão, principalmente durante uma pandemia, muitos elementos devem ser considerados. Como foi citada entre os entrevistados, a valorização aos Pedagogos realmente anda falha, é quase nula. Pensamos que é de suma importância, nós, como futuros profissionais da área, conhecermos o que pensam e como agem. Sabemos que a maioria dos Pedagogos vinculados ao trabalho, seja em escolas, abrigos, asilos, penitenciárias, empresas e hospitais está trabalhando neste momento. Presencialmente ou “de casa”, por vídeos, áudios e mensagens em grupos e outras plataformas, aulas estão sendo planejadas e executadas e o contato com os alunos ainda está acontecendo. De forma diferente, mas ininterruptamente. Ou seja, o profissional da educação continua atuando em sua área.
Mesmo que não esteja na linha de frente contra o Covid-19, está se adaptando aos novos tempos e à sociedade que está surgindo dessa crise profunda. Junto a outros profissionais, especialmente os da saúde física e mental, está encontrando forças para trabalhar todos os dias, via internet. Sobre esse aspecto, o do trabalho virtual, uma de nossas informantes escreveu que as mudanças foram “intensas e graves”:

Existiu um tempo em que as desigualdades eram severas e houve ruptura com a eleição de um governo popular. Depois, um golpe e, atualmente, vivemos as perdas de direitos. As principais mudanças foram as tecnológicas, que democratizaram as informações e mobilizaram vários setores da sociedade. Atualmente, está tudo subordinado à alta tecnologia, a rapidez e a intensidade das informações. A vida é controlada. E somos controladas.

Outro aspecto mencionado foi a sobrecarga desses profissionais que precisam de 40 ou 60 horas semanais de trabalho para ter um salário digno. Evidenciamos nos depoimentos, que houve sim, diversas mudanças sociais que estão interligadas à educação e, junto a elas, a preocupação em não perder nenhum dos direitos adquiridos através das lutas da categoria.
Agradecer e parabenizar
O PET Educação reconhece e valoriza a profissão e quer, neste momento, neste dia 20 de maio de 2020, em meio à pandemia de Covid-19, agradecer e parabenizar todos que já educam e aos que desejam educar no futuro.
Parabéns e...
Vamos em frente!

Referências:
Dia do pedagogo disponível em:
Pesquisa Google Formulário disponível em:



[1] Campinas: Papirus, 2003.
[2] Cad. Pesqui. vol.37 no.131 São Paulo May/Aug. 2007

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